Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 01/11/2017
Ansiedade, depressão, fobia social, queda no rendimento escolar. Essas são apenas algumas consequências de um triste ato que, infelizmente, perpetua-se no país: o bullying. “Na essência somos iguais, nas diferenças nos respeitamos”. A assertiva de Santo Agostinho parecia não prever a existência dessa terrível prática nas escolas brasileiras, em que apenas por serem diferentes, inúmeros jovens são submetidos a constantes situações de aviltamento, provocando cicatrizes pelo resto da vida. Essa constatação exige uma reflexão sobre os principais aspectos que causam esse verdadeiro descaso social.
Em primeira instância, deve observar como uma ideia difundida entre os jovens contribui para a persistência dessa lamentável ação no Brasil. Sob a ótica dos fatos sociais propostos por Durkheim, em que os interesses coletivos sobrepõem-se sobre os individuais, percebe-se que surge, para o senso comum dos adolescentes, a ideia de competição dentro das escolas, onde aquele que deseja obter o poder local deve utilizar a força e outros meios extremamente agressivos para alcançar tal objetivo, muitas vezes não medindo as consequências destes terríveis atos. Nesse contexto, deve-se ressaltar a importância da necessidade do combate a esta terrível ação.
O sociólogo Zygmunt Bauman explica, em sua “modernidade líquida”, a perda da sensibilidade pela dor do outro na sociedade pós-moderna. Sob essa perspectiva, deve ressaltar uma ação que agrava essa problemática no país: A negligência das escolas aos casos de bullying. Por ser uma discussão recente, infelizmente, inúmeras instituições de ensino acabam não levando esses casos a sério, muitas vezes sendo considerados apenas drama de adolescente. Diante desse fato, deve-se salientar um ato extremo promovido pelas vítimas do bullying: o suicídio. Por não verem nenhuma expectativa de melhora, os sofrentes acabam tendo negado um de seus direitos primordiais: o direito à vida.
Diante do exposto, fica clara a necessidade de uma intervenção na questão do bullying no Brasil. Por isso, cabe ao Ministério da Saúde, através de concursos públicos, promover a contratação de psicólogos para atuarem nas escolas da rede pública, visando um acompanhamento detalhado da vida escolar dos alunos, proporcionando maior segurança para estes e, consequentemente, reduzindo os casos de bullying no país. Além disso, compete às escolas, por meio de palestras educativas com profissionais da área da saúde, remodelar o pensamento de seus alunos sobre esse ato hediondo, explicando-lhes as gravíssimas consequências que podem ser geradas, com o objetivo de extinguir essa ação em solo nacional, garantindo uma vida mais digna para a população escolar. Nesse contexto, torna-se válida a assertiva de Kant: “O homem nada mais é do que aquilo que a educação faz dele”.