Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 02/11/2017
O Governo Federal instituiu, no ano de 2015, o Programa de Combate a Intimidação Sistemática, a fim de definir as práticas que se caracterizam como “bullying” e traçar as diretrizes, cujo propósito seja de suprimi-las. Apesar da hodierna normativa, a questão sempre esteve presente na sociedade e, como ilustração, cita-se a obra literária de Raul Pompeia, o Ateneu, cujo narrador, Sérgio, interno de um colégio, descreve atos de intimidação sistemática contra ele, realizados por Barbalho - colega de escola. Neste sentido, considerando-se o “bullying” um tipo de violência e que portanto, provoca prejuízos a sociedade, medidas fazem-se necessárias no combate a esta epidemia social.
Em uma primeira análise, conforme o filósofo inglês, Thomas Hobbes, se o ser humano vivesse sem regras definidas, estaria inserido no que o filósofo chama “estado de natureza” e, consequentemente, o resultados seria uma guerra de todos contra todos. Sob esta perspectiva, depreende-se que o crescimento da prática de “bullying”, nos últimos nos, está ligado a impunidade para quem cometeu a violência. Sendo assim, a ausência de limites nas relações provoca em seres humanos o sentimento de poder sobre outros tidos como mais frágeis, o que ocasiona consequências irreparáveis.
Dentre as implicações da intimidação sistemática, cabe pontuar o medo, a baixa autoestima, a depressão e a disseminação, entre adolescentes, de uma forte tendência suicida. Em comparação a esta questão, o seriado “13 reasons why”, lançado no ano de 2017, baseado no livro de Jay Asher de mesmo nome, retrata a história de Hannah Baker, que comete suicídio e apresenta, no decorrer da trama, as treze razões, intimamente ligadas ao “bullying”, para que cometesse tal ato de desespero. Ademas, vale salientar que as consequências psicológicas tornam-se ainda maiores quando se trata de cyberbullying, visto a excessiva exposição da vítima, bem como sua perturbação psicológica.
Destarte, o bullying é um tipo de violência crescente e as medidas existentes ainda não são satisfatórias a sua supressão e, visto isso, a fim de que a Lei de Combate a Intimidação Sistemática seja efetivamente empregada, faz-se necessária a disseminação de suas metas em todos os cantos do país. Desta maneira, o Governo Federal deve criar uma comissão de combate ao bullying, que estenda aos municípios, principalmente as escolas, a capacitação de funcionárias, nomeados em comitês, com a intenção de identificação dos possíveis casos de intimidação sistemática. Além disso, os postos de denúncia dos casos específicos de bullying precisam ser ampliados, como na forma de centrais telefônicas, a fim de facilitar o conhecimento das autoridades, para que os acusados sejam penalizados na forma da lei. As medidas supracitadas são urgentes e necessárias, para que não haja a dominação dos mais frágeis e o estado de natureza de Hobbes não seja a realidade da nossa sociedade.