Efeitos do Bullying na sociedade

Enviada em 02/11/2017

A lei 13.277/16, que instituiu 07 de abril como o Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola, marca o aniversário da tragédia do Realengo, quando um ex-estudante invadiu uma sala de aula e atirou contra as crianças, causando 12 mortes. Todavia, o objetivo da lei – combater a prática do bullying – tem se mostrado ineficaz, uma vez que é notório o aumento da violência derivada da prática de humilhação entre os estudantes, bem como , indiscutível seu reflexo na sociedade contemporânea.

Relativo ao crescimento dos casos de jovens submetidos a situações vexatórias, pesquisas do IBGE relatam um aumento de 11,3% entre os anos de 2012 a 2015. De acordo com os alunos, esta prática envolve desde intimidação até violência física, que por consequência afeta o ser humano em sua socialização; no seu convívio com outras pessoas. De certo, um estudo publicado em 2013 na JAMA Psychiatry descobriu riscos elevados de depressão e ansiedade em adultos que sofreram bullying na idade escolar.

Segundo Immanuel Kant, o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele. Neste contexto, assegura-se que as consequências do bullying não se restringem aos muros das escolas, visto que é responsável por criar adultos agressivos, depressivos ou com baixa autoestima e, nos casos mais graves, geram homicídios e suicídios. De fato, o jovem suicida de 23 anos, responsável pelo tiroteio na escola em Realengo, foi vítima de opressão, humilhação e violência na adolescência.

Dado o exposto, medidas são necessárias a fim de impedir a continuidade desta situação. É mister a intervenção dos professores no convívio diário com seus alunos, de modo a coibir toda prática de violência a qualquer estudante além de incentivar denúncias de casos de opressão. O Ministério da Educação deve disponibilizar psicólogos com intuito de acolher jovens, vítimas e autores de bullying, e promover palestras educativas sobre o assunto. A família possui papel vital ao transmitir valores que demonstrem que todos os seres humanos são iguais, independentemente de qualquer diferença física ou psicológica. Ademais, a Mídia deve promover amplo debate sobre o tema com finalidade de estimular a sociedade a discutir sobre esta problemática. Afinal, para o escritor Oscar Wilde “a insatisfação é o primeiro passo para o progresso de um homem ou uma nação.”