Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 02/11/2017
Conforme defendeu Norberto Bobbio, na obra “A Era dos Direitos”, o problema fundamental em relação às premissas legais do homem não é de justificá-las, mas sim de protegê-las. Ao analisar essa conjectura, é possível reconhecê-la em conformidade com o contexto social brasileiro, tendo em vista a dificuldade de salvaguardar as prerrogativas garantidas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente em um cenário que presenciam práticas de bullying entre os jovens. Logo, é modificar essa conjuntura - ora rompendo com a cultura do individualismo, ora desmistificando os estigmas de preconceito.
Em primeiro lugar, é preciso salientar as raízes ideológicas que ocasionam tais atos discriminatórios na sociedade. Como presumiu o filósofo polonês Zygmunt Bauman, o momento histórico atual é caracterizado pela efemeridade das relações interpessoais e pelo individualismo. Sob esse tese, é factível afirmar que a perda do caráter coletivo dos indivíduos suscita a carência de empatia e, por conseguinte, a existência das intolerâncias no convívio social, sobretudo nas escolas - como o racismo, a homofobia e o machismo. Neste contexto, configura-se uma cadeia de implicações - seja o comprometimento da saúde psicológica da vítima por acarretar a depressão e a ansiedade; seja as problemáticas no desenvolvimento educacional ocasionadas pela evasão escolar. Dessa forma, o exercício dos direitos à honra e à educação torna-se inexequível.
Ademais, deve-se pontuar a forma como esse preconceito enraizado se perpetua nas gerações futuras. De acordo com a sociologia de Pierre Bourdieu, os indivíduos possuem a tendência de incorporar padrões sociais ao longo do tempo. Ao seguir essa linha de pensamento, pode-se asseverar que a cultura das intolerâncias e das práticas de bullying serão perpassadas nas sociedades posteriores. Em consequência disso, gera-se não só uma dificuldade de formar um rótulo de altruísmo, de exercício de alteridade e de uma ética no desenvolvimento das crianças e dos jovens, como também uma complicação no que tange à garantia de direitos sociais e civis das pessoas vítimas dessa hostilidade, contradizendo, dessa maneira, a democracia brasileira.
Tornam-se prementes, portanto, mediações para reverter essa questão da sociedade. Para tal fim, o Ministério da Educação, aliado aos institutos educacionais, deve adotar o modelo de “escola cidadã” - proposto por Paulo Freire -, abrindo debates nas aulas de Sociologia e realizando palestras sobre a necessidade de construir um caráter solidário e de valorizar as diferenças, no intuito de formar alunos que interpretam e transformam a realidade social. Outrossim, as emissoras de televisão voltadas para o público infanto-juvenil devem ressaltar a conveniência de suprimir a intolerância, retratando nos programas infantis as noções de moralidade, a fim de cumprirem uma função socioeducativa.