Efeitos do Bullying na sociedade

Enviada em 03/11/2017

Segundo dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, divulgados em 2015, no Brasil, foi verificado que um em cada dez estudantes é vítima de ‘‘bullying’’ no ambiente escolar. Esse é o retrato característico da expansão da intimidação sistemática na sociedade brasileira. Entretanto, infelizmente, apesar da aprovação da lei ‘‘antibullying’’, essa ação violenta ainda é um problema persistente, estabelecendo uma relação de poder desequilibrada entre os indivíduos e, como pode ocorrer em qualquer contexto da sociedade, perpetua uma cultura de exclusão, intimidação e violência.

Em primeiro plano, a ausência dos pais no processo educacional dos filhos tem o impacto de catalisar o ato do ‘‘bullying’’. De acordo com a especialista e educadora Cleo Fante, a ausência de limites, a exposição constante à situações de hostilidade familiar e à omissão dos responsáveis na participação da educação dos filhos, à qual, principalmente, crianças e adolescentes são sujeitados, culmina na exteriorização de tal prática violenta. Decerto, a naturalização da violência sistemática deve ser desconstruída, pois é contraditório que, mesmo em um Estado democrático e com a existência de uma lei específica, a discriminação, por meio de ‘‘bullying’’, ocorra de maneira ininterrupta.

Outrossim, atrelado à omissão familiar, a passividade das instituições escolares diante dessa problemática, da mesma maneira, é responsável pela persistência do ‘‘bullying’’. Primordialmente, é ocasionada pela despreparação dos funcionários escolares e a preocupação apenas na transmissão de conteúdos, não raro, o ensino de valores morais são esquecidos. De acordo com a pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2015, cerca de 47% dos alunos entrevistados relataram ter sofrido algum tipo de bullying, sem dúvida, a negligência conjuntural dos principais agentes educacionais faz com que, as vítimas desse tipo de violência sistemática tenham maior predisposição para desenvolver doenças psicológicas.

Torna-se evidente, portanto, que a epidemia silenciosa do ‘‘bullying’’ deve ser combatida, pois ocasiona prejuízos para toda a sociedade. Em razão disso, a Secretária Nacional de Promoção dos Direitos das Crianças e Adolescentes, em parceria com o meio midiático, com a finalidade de conscientizar e prevenir, deve disseminar, por meio de propagandas, a importância e o impacto dos pais na participação da educação dos filhos e os efeitos nocivos da continuidade do ‘‘bullying’’ na saúde mental e desempenho escolar das vítimas. Além disso, o Ministério da Educação, em colaboração com pedagogos e as escolas, deve realizar palestras para capacitar os funcionários escolares, pois o desconhecimento e despreparo são os maiores obstáculos para a identificação, prevenção e acompanhamento psicológico nas instituições de ensino.