Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 03/11/2017
No século XXI, de acordo com Paulo Freire, o que se espera de uma escola ideal é que o aluno seja protagonista do processo de aprendizagem, tendo um professor como facilitador, de forma que todos os indivíduos de uma turma colaborem para que o conhecimento seja compartilhado. Infelizmente, alguns alunos se distanciam desse ideal quando agem de forma agressiva, intimidando e perseguindo outros alunos sem motivação aparente. No momento em que isso se torna constante e repetitivo, temos a realidade aterradora do bullying e entender as suas causas e consequências é o primeiro passo para combatermos esse problema.
As causas devem ser analisadas, tanto do ponto de vista do agressor, como também pelo olhar da vítima. O agressor na maioria das situações busca autoafirmação, uma forma de demonstrar poder diante dos colegas de classe. Já a vítima, que quase sempre se encontra num quadro psicológico frágil e com baixa autoestima, normalmente é perseguida por questões étnicas, de gênero, sexuais e regionais. Segundo pesquisa realizada em março e abril de 2014, entre alunos e professores, 37% dos entrevistados já tiveram conhecimento ou presenciaram casos de discriminação contra alunos, sendo as questões étnicas e de gênero, os casos mais comuns de discriminação.
As consequências, para a vítima, podem se manifestar de diferentes formas, como, por exemplo, isolamento, baixo rendimento escolar, depressão, suicídio e violência. Recentemente, em um caso de repercussão nacional, um aluno de uma escola particular, na cidade de Goiania – GO, que vinha sofrendo bullying constantemente, efetuou vários disparos de arma de fogo contra professores e “colegas” de classe.
Uma vez entendida as causas e consequências do bullying, fica evidente que, uma prática tão nociva quanto essa, deve ser combatida, como preconizado pelo Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Lei 13.185 de 2015). Para isso, as escolas podem atuar oferecendo palestras sobre respeito ao próximo, fazendo reuniões com os pais e alunos, para que estes tenham ciência do comportamento dos seus filhos, e oferecer acompanhamento psicológico para amparar tanto as vítimas quanto os agressores. As famílias devem acompanhar de perto a educação de seus filhos, facilitando assim a identificação de um possível comportamento de vítima ou agressor. Desta forma, todos os alunos poderão colaborar de forma efetiva para o compartilhamento do conhecimento, sendo o protagonista do processo de aprendizagem.