Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 12/12/2017
O comunicólogo Muniz Sodré fala de duas dimensões de violência: atos de violência, em que a ação pontual infringe uma regra social, e o estado de violência, onde há uma sensação contínua de insegurança. Infelizmente, muitos jovens e criança, que sofrem bullying, vivem o estado de violência, pois agressores agem de forma impune e constante, perseguindo-os, intencionalmente, em uma idade em que há poucas formas de reverter o processo. Durante muito tempo essa situação foi negligenciada, porém trata-se de um assunto sério que deve deve ser examinado com cuidado.
Em primeiro lugar é necessário entender as causas e consequências do bullying. O agressor aproveita-se de alguém que encontra-se fragilizado e possui referências que podem ser buscadas como elementos de marginalização social (como questões físicas, regionais, étnicas, sexuais ou de gênero) e diminui essa pessoa, humilhando-a e, em muitos casos, até agredindo-a, em busca por poder e auto-afirmação social. Essa vítima, no entanto, quando não acolhida e protegida logo, pode ter sérias consequências como o isolamento, baixo rendimento escolar, em casos mais graves, pode acabar levando à depressão e ao suicídio. Em outros casos, a vítima, se sentindo acuada, pode querer utilizar a violência para se defender ou se vingar dos agressores, como foi o caso de massacre em Columbine, que ocorreu em 1999, quando dois garotos, vítimas de bullying, invadiram a escola em que estudavam e atiraram contra outros estudantes, professores e funcionários, deixando 13 mortos.
As escolas e famílias, que deveriam lutar contra esse tipo de situação e acolher as vítimas de bullying, acabam se tornando um agente da violência social. A violência social é pratica por uma instituição, por ação ou omissão, contra determinados grupos. Administradores e professores de colégios e, até mesmos, pais ignoram quando se deparam com algum tipo de bullying, muitos até consideram isso como um processo “normal”, pelo qual a maioria das pessoas são submetidas quando mais novas. Essa tolerância ao bullying permite a criação de uma atmosfera de intimidação e ressentimento onde atos de violência geram um estado de violência, que, por sua vez, faz com que pessoas pratiquem mais atos, criando um ciclo perverso em que violência gera violência.
Fica evidente, portando, que medidas devem ser tomadas, afim de quebrar esse ciclo e coibir práticas tão nocivas como o bullying. Nesse sentido é necessário que palestras, que ensinem a identificar e como reagir a uma situação de bullying, sejam dadas para alunos e seus familiares. Nas escolas é necessário que profissionais, como psicopedagogos, sejam contratados e possam ouvir, de forma sigilosa, aqueles que sofrem com isso, agindo de modo adequado. Somente assim podemos quebrar esse ciclo maléfico e restabelecer a harmônia social.