Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 18/02/2018
A série norte-americana “13 reasons why”explicita um cenário escolar agressivo, individualista e pouco acolhedor, o que fomenta na protagonista o sentimento de não pertencimento e o consequente anseio pela morte. Fora das telas de cinema, essa realidade faz-se cada vez mais presente nas diversas instituições de ensino no Brasil, devido, principalmente, à falta de uma educação crítica e empática. Tendo em vista não só a falta de conhecimento sobre os efeitos desse crime mas também ao individualismo propagado pela instituição de ensino.
Paulo Freire, em “Pedagogia do Oprimido”, defende a educação crítica, pois, dessa forma, os estudantes serão formados como cidadãos conscientes de seus direitos e deveres, podendo, assim, contribuir significativamente para a evolução da sociedade. Segundo o portal de notícias G1, em outubro de 2017, na cidade de Goiânia, um aluno de uma escola particular da cidade atirou contra seus colegas alegando ser vítima de agressões psicológicas frequentes naquele local,fato esse que poderia ter sido evitado caso essa instituição discutisse continuamente sobre as consequências das ações, sejam essas quais forem, a fim de tornar os alunos indivíduos críticos e aptos aos diálogo, tal qual elucidado pelo filósofo brasileiro.
Outrossim, o individualismo contemporâneo também se mostra como uma das causas dessa problemática, uma vez que a fluidez das relações interpessoais tornam-as frágeis e mais facilmente substituíveis, principalmente sob a ótica da globalização atual, o que consequentemente, diminui drasticamente a empatia nessas relações, visto que tornam-se cada vez mais artificiais. Assim como é exposto pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman em suas obras sobre relações na pós-modernidade. Torna-se evidente, portanto, que o bullying deve ser combatido. Em razão disso, cabe ao MEC (Ministério da Educação e Cultura) tornar obrigatório a implementação de uma metodologia pedagógica crítica em todas as escolas brasileiras, através de aulas proferidas pelos professores de filosofia e sociologia sobre os direitos e deveres constitucionais dos indivíduos, além de discutir temas polêmicos, como a violência doméstica e o assédio sexual, com o intuito de desenvolver a consciência crítica e coletiva, para que haja, assim como defendido pela pedagogia freireana, a tão aclamada evolução social.