Efeitos do Bullying na sociedade

Enviada em 20/03/2018

Das páginas literárias à realidade brasileira, o personagem Augge retratado no livro “O extraordinário” não convive em um ambiente escolar por seus pais terem medo de violências que ele poderá sofrer devido às deformidades em seu rosto. Diante do contexto, os casos de bullying são realidade no Brasil, ressaltando que esse é apenas um dos casos, visto que as escolas são os principais, mas não únicos palcos para a problemática. Com isso, os agressores distanciam-se do altruísmo e aproximam-se do egoísmo, visto que a permanência de padrões considerados ideais e a dificuldade de diálogos são causas da problemática.

Os narcisos do mundo contemporâneo priorizam a imagem própria e o enaltecer do “eu”. De acordo a uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBJE), em 2016, 47% do número de jovens no Brasil informam terem sido alvos de bullyng, seja por cor, raça, religião, opção sexual, região de origem ou aparência do rosto. Diante disso, são padrões que fogem daqueles considerados ideais e servem de escudo para indivíduos sentirem-se no direito de ignorar e menosprezar o outro. Dessa forma, pessoas são humilhadas por uma motivação egoísta.

Em decorrência, a falta de comunicação dificulta uma solução. Haja visto o crime ocorrido no ano de 2011 no Brasil, onde Wellington Menezes invadiu a escola Tasso de Oliveira em Realengo no Rio de Janeiro efetuando disparos que ocasionaram 13 mortes,  em carta disse afirmou ter sofrido bullyng. De fato, a sociedade está cristalizada, indiferente e menos humana, haja vista na pós-modernidade o diálogo tem sido substituído pela correria do dia a dia. Dessa forma, as vítimas do bullying muitas vezes não falam sobre o problema, assim encobrindo muitos desses crimes.

Entende-se, portanto, que a intolerância ao diferente e a falta de comunicação desprendem-se dos valores altruístas e ajudam na intensificação do bullying no Brasil. Portanto, o humano tem o potencial extraordinário para fazer o bem, mas também um imenso para fazer o mal, tudo depende da sua motivação. Por isso, é importante que os os institutos de educações municipais e estaduais, aliados aos meios midiáticos promovam através de campanhas para conscientização da população, através de filmes educativos, palestras e adequações de pautas a valorização do indivíduo ligado as diferenças de cada um. Em consonância, as esferas estaduais devem dispor a presença de psicólogos nas escolas e em ambientes de relações pessoais para intensificar o combate, já que assim seria possível apresentar as consequências negativas da prática a possíveis agressores, incentivar o diálogo e denuncias das vítimas. Dessa forma, promovendo uma motivação altruísta em vez de egoísta.