Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 01/04/2018
Definido como uma violência intencional e repetitiva, o bullying tem crescido gradativamente na sociedade brasileira. Para combatê-lo, foi sancionada, em 2015, a lei popularmente conhecida como “lei anti-bullying.” Entretanto, mesmo com a lei já em vigor, o bullying ainda é um problema presente. Nesse contexto, deve-se analisar como a omissão familiar e a negligência escolar provocam tal problemática na vida de crianças e jovens.
A ausência dos pais no processo educacional dos filhos é a principal responsável pela prática de bullying. Isso acontece porque, na atual sociedade, as pessoas passam mais tempo em busca do máximo lucro monetário ou imersos em suas redes sociais - consideradas armadilhas por Bauman - do que educando os filhos. Em decorrência disso, o bullying é potencializado, visto que os agressores não são educados a respeitar o próximo e as vítimas não são educadas a pedir ajuda. Não é atoa, então, que casos como que aconteceu em Goiânia em que um adolescente de 14 anos abriu fogo dentro de um colégio particular, motivado pelo bullying, são constantes na sociedade.
Atrelada à omissão familiar, a negligência escolar também é responsável pelo bullying na sociedade. Isso decorre do modelo pedagógico vigente, que, ao invés de ensinar valores éticos e morais básicos, que norteiam as relações interpessoais, ensinam apenas conteúdos cobrados em prova. Diante disso, é comum, que casos de bullying por conta da aparência física aconteçam dentro da sala de aula. Desse modo, essa tal negligência, segundo a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa, leva a transtornos psicológicos como ansiedade, depressão e até mesmo ao suicídio.
Torna-se evidente, portanto, que a família e a escola devem combater o bullying. Em razão disso, a Secretaria Nacional de Promoção dos direitos da Criança e do Adolescente, juntamente com órgãos midiáticos, devem disseminar propagandas em redes sociais, novelas e transportes coletivos, visando mostrar as consequências da ausência dos pais na vida dos filhos, e buscando a conscientização da população. Ademais, ao Ministério da Educação, em parceria com pedagogos, devem realizar uma mudança na base curricular do ensino infantil, fundamental e médio. Tal reforma acrescentaria matérias como ética e cidadania, visando passar valores como respeito e cordialidade. Além disso, docentes e equipes pedagógicas deverão ser capacitados para realizar ações que previnam e solucionem o problema, com a criação de campanhas educativas como a “Escola da Inteligência” que visa entender o que está por trás do agressor e do agredido, compreendendo que no comportamento de quem fere, sempre há alguém ferido, desenvolvendo a inteligência socioemocional e transformado ciclos viciosos e doentios em relações virtuosas e saudáveis.
Com essas medidas, a lei anti-bullying terá eficácia.