Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 12/04/2018
É incontestável que a presença do bullying nas escolas brasileiras é uma das violências que mais deixam sequelas na sociedade, uma vez que, diariamente, há numerosas vítimas dessa questão. Por conseguinte, dois aspectos fazem-se relevantes: os desafios no tocante à inaceitação das diferenças e as consequências dos ataques as mesmas.
A priori, é necessário pontuar que o convívio com as diferenças, no Brasil, sempre foi motivo de aversão. Como bem expresso na carta de Pero Vaz de Caminhas, “Bárbaros” foi o termo utilizado, pelos portugueses, para identificar os indígenas; mais tarde, no período da ditadura militar, pela condição de ser negro, homossexual ou por questões religiosas, indivíduos foram violentados e até mesmo mortos. Nesse sentido, é possível perceber eu a prática da intimidação sistemática possui raízes históricas e que, na contemporaneidade, é manifestada até nas mínimas dissemelhanças, como as de peso ou nível social e, como agravante, essa é mais frequente dentro do meio julgado como mais forte para mudar tal cenário: a escola.
Seguidamente, a estada dessas manifestações, nesse ambiente, resulta me diversos problemas, não apenas para as vítimas, mas também para os atacantes. Em uma pesquisa realizada pelo colégio, de Maceió, Cristo Rei, consta que aproximadamente 70% dos indivíduos de 10 a 18 anos de idade já foram vítimas de bullying escolar, dentre os quais, desse total, quase 54% voltaram a cometer o ato. Dessa maneira, além das sequelas, em sua maioria psicológicas, que, em casos extremos, podem resultar no suicídio do reprimido, tem-se o “Modelo Cíclico” da temática que, se não combatido, tenderá ao agravamento, como bem se comprova na história do País.
Torna-se evidente, portanto, a necessária adoção de medidas capazes de atenuar os desafios apresentados pelo bullying entre o corpo discente. Posto isso, cabem escolas a essas promoverem aulas específicas, não só sobre as diferenças entre os colegas, mas também da necessidade de respeitá-las. Assim, com auxílio de ONGs, realizar projetos – como peças teatrais – com os alunos, que simulem as diversas formas a qual o bullying venha a se manifestar. Além disso, é imperioso que, ao final de cada manifestação, ocorram debates, juntamente a presença de psicólogos sobre os aprendizados adquiridos naquele momento. Dessa forma, será possível alcançar um ambiente escolar menos intolerante e, consequentemente, mais altruísta, pois, como bem afirma o filósofo Michael Foucault: “A escola é uma das instituições de sequestro capazes de mudar a conduta e o pensamento do homem”.