Efeitos do Bullying na sociedade

Enviada em 13/04/2018

O sociólogo Émile Durkheim classificou os fatos sociais, seus objetos de estudo, em normais, que não agridem a coesão social; e patológicos, os quais põem em risco essa integração. Na contemporaneidade brasileira, o fenômeno do “bullying” caracteriza-se como uma patologia social que traz malefícios as suas vítimas, possuindo questões escolares e familiares envolvidas.

Nesse contexto, é preciso destacar a omissão escolar como fator principal dos casos de intimidação sistemática. Ainda que o Estado brasileiro disponha da Lei Anti-bullying, que estimula as instituições de ensino a elaborarem projetos de prevenção, essa não se mostra efetivamente implementada, uma vez que muitas escolas não possuem, por exemplo, profissionais capacitados para lidarem com essa questão e não disponibilizam canais de diálogo com os familiares das vítimas e dos agressores. Dessa forma, os casos de “bullying” ocorrem rotineiramente, tendo em vista a inexistência de ações escolares que alterem esse comportamento e que desestimulem novas agressões.

Outrossim, a negligência familiar na formação da consciência moral das crianças também favorece a perpetuação dessa problemática. Conforme o pensamento de Jean Piaget, psicopedagogo suíço, os pais são os responsáveis pelo estado de heteronomia de seus filhos, isto é, são os primeiros a impor limites e a ditar normas de convivência em sociedade. Nessa perspectiva, percebe-se que, na sociedade hipercapitalista atual, as famílias, em geral, passam muito tempo no trabalho em detrimento da educação moral das crianças. Estas, em virtude de tal negligência, atuam como dispersoras do “bullying” quando na Escola, provocando efeitos negativos em suas vítimas, como evasão escolar e problemas de autoestima, caracterizando, assim, a desintegração social descrita por Durkheim.

Em face ao exposto, o “bullying” é uma patologia social que carece de medidas para amenizá-lo. Para isso, cabe à Escola a elaboração de projetos educacionais que possuam a intimidação sistemática como objeto de estudo, os quais, por meio de palestras e de seminários periódicos, ministrados por psicopedagogos e destinados aos pais e aos alunos, informem sobre as consequências desse problema, assim estimulando uma mudança de comportamento. Por fim, concerne às famílias dialogar com seus filhos, impondo limites e apresentando normas de convivência em sociedade, de forma a construir a consciência moral deles. Por intermédio dessas ações, os casos de “bullying” serão diminuídos; e a integração social, que eles põem em risco, será fortalecida.