Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas

Enviada em 27/04/2020

No século XX, houve a ascensão de inúmeros regimes totalitários de extrema-direita, como o nazismo e o fascismo, oriundos tanto da Crise de 1929, quanto de uma desilusão com os ideais democráticos. No entanto, para que tais ideologias se consolidassem, era necessário que a massa fosse imbuída dessas doutrinas radicais e que lutasse fervorosamente por elas. Para esse fim, Adolf Hitler decide, então, utilizar-se da propaganda política, por meio de cartazes, jornais e filmes anti semitas, como “O eterno judeu” de Fritz Hippler, que desumanizaram os judeus e normalizaram sua perseguição. Hodiernamente, em uma sociedade que até mesmo a televisão tornou-se obsoleta, tal manipulação dá-se pelas redes sociais que, embora pareçam somente uma fonte de entretenimento, exercem grande influência no comportamento do indivíduo, de forma a aliená-lo e induzi-lo a certas crenças, inclusive no que concerne ao âmbito eleitoral.

Deve-se notar, antes de tudo, a contradição que vige as redes sociais: um excesso de informações que acarreta ignorância e ausência de senso crítico. De maneira análoga, Aldous Huxley, em sua obra distópica “Admirável Mundo Novo”, defende sua tese de que a alienação não ocorre em virtude da censura ou da falta de dados, mas é fruto de uma sociedade cada vez mais incapaz de consumir análises densas e que, por conseguinte, opta pela ignorância a fim de proteger suas próprias ideologias. Isso é potencializado ainda mais no que se refere ao ambiente virtual, pois, como não há filtro nesse espaço, pode-se acreditar em qualquer mentira que fundamente suas crenças políticas.       Outrossim, no âmbito da propaganda, as empresas fazem uso de uma prática denominado pelo psicólogo Ernest Dichter de “propaganda subliminar”. Com o intuito de comprovar sua tese, ele exibiu um filme no qual, de tempos em tempos, surgiam mensagens “imperceptíveis” de alguns produtos e notou que esses tiveram um aumento em suas vendas. De maneira análoga, constata-se que grupos organizados por atores políticos perpetuam notícias falsas até que essas sejam compartilhadas massivamente e haja, por fim, a transformação de uma mentira em verdade pela repetição e, mais importante, um maior apoio a seus candidatos.

É necessário, portanto, que as escolas eduquem os estudantes, desde a infância, acerca do ambiente virtual, por meio da implementação de aulas relacionadas à educação digital no currículo escolar, que os alertariam dos riscos do uso inconsequente da internet e os ensinariam a analisar de maneira crítica os conteúdos aos quais são expostos, pela leitura na íntegra, checagem de dados e verificação da data de publicação das notícias. Dessa forma, haverá não só uma maior segurança, como uma maior autonomia a um indivíduo que não busca por heróis políticos ou utopias, mas soluções.