Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas
Enviada em 27/04/2020
A série “Black Mirror” apresenta diversas histórias episódicas para retratar problemas com a tecnologia em futuros distópicos. Em um dos episódios exibidos, uma personagem necessita mudar seu jeito de ser para conseguir um bom status na sociedade, no qual é definido por sua avaliação em redes sociais. Paralelamente, na política brasileira, o uso das redes sociais é manipulador e busca passar a imagem perfeita dos políticos, que até mesmo utilizam de “fake news” para efetuar sua consolidação entre os eleitores. Por isso, deve haver uma intervenção no uso das redes sociais para fins políticos.
Primeiramente, é um fato que o uso de redes sociais possui um grande impacto em decisões políticas. Diversas vezes, as redes sociais mais conhecidas - principalmente o Twitter e o Facebook - são utilizadas como parâmetros para a tomada de decisões, sejam elas de cunho político ou não. Um recente exemplo no Brasil foi o caso da demissão do ex-ministro da saúde Henrique Mandetta, que teve péssima repercussão nos veículos de imprensa e redes sociais apos a especulação - o que causou o adiamento da demissão.
Entretanto, esse recurso tecnológico não é sempre utilizado de forma correta pela política. A aplicação de recursos digitais que manipulam informações é frequente no meio político, com ocorrências em candidaturas ou com o objetivo de “manchar” a imagem de rivais. Em 2018, por exemplo, houve a divulgação de diversas “fake news” sobre os candidatos com o intuito de favorecer o atual presidente brasileiro. Em um dos casos - registrado pelo jornal El País - foi divulgado uma imagem onde o candidato Fernando Haddad, caso fosse eleito, tornaria a pedofilia um ato legal, entretanto, o projeto de lei citado na imagem sequer retrata sobre pedofilia.
Por fim, é conclusivo que deve haver um controle do uso político das redes sociais, a fim de evitar a divulgação de falsas informações e a manipulação do eleitorado brasileiro. Para isso, é necessário que as empresas que gerenciam as redes sociais - como o Facebook - estabeleçam regras em seus aplicativos sobre a divulgação de propagandas políticas, com o intuito de impedir as “fake news”. Essas corporações devem aplicar restrições na divulgação de atos políticos que possibilite apenas a expressão de opiniões e restrinja a aplicação de divulgações não oficiais de informações sobre políticos.