Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas
Enviada em 27/04/2020
No filme “A Rede Social”, é retratada a criação da rede social Facebook e seus desdobramentos. O valor dessa nova ferramenta se dá, na representação, muito devido à rápida e ubíqua dissipação de opiniões de uma pessoa para outra. Além disso, é apresentado que, para o público das redes sociais, interessa a informação em grande quantidade, pouco importando sua qualidade ou profundidade. Logo, trazendo para o real cenário político atual, o grande fluxo informativo tem potencializado o modelamento de muitas concepções do que é o ideal para uma sociedade, assim, como resultado de tal processo, destaca-se a profunda influência das redes sociais sobre as eleições, que deve ser fiscalizada para que não possa ferir a democracia.
Primeiramente, nesses termos, é observável que no Brasil o resultado da última eleição foi majoritariamente submetido à influência das redes sociais. Prova disso está no fato de que, por exemplo, o candidato à Presidência Geraldo Alckmin, com quase cinco minutos de propaganda eleitoral e maior tempo de TV, ficou em quarto lugar, ao passo que Jair Bolsonaro, com apenas oito segundos, conseguiu quase metade dos votos da população brasileira. Segundo pensamento de Gaudêncio Torquato, professor da USP, Bolsonaro soube explorarar a irracionalidade nesta eleição, utilizando de notícias, frases, discursos e vídeos para mover sentimentos de amor e ódio.
Ainda, de acordo com uma pesquisa realizada pela universidade de Oxford, em 48 países as eleições tiveram influências de partidos políticos que, manipulando as notícias partidárias, buscavam a persuasão dos seus eleitores. Mostrou também que nos países da América Latina esse fato é mais recorrente, o que indica uma ausência de preparo dos provedores de internet para filtrar as informações veiculadas na grande rede. Segundo filósofo Pierre Lévy, a internet é uma espécie de catalisador (capaz de acelerar reações positicas e negativas). Assim sendo, se regularizada corretamente, as redes sociais poderão, sim, ser uma boa fonte de debates construtivos para a democracia.
Portanto, tendo em vista os aspectos mencionados, faz- se necessário que o Ministério da Educação deve implantar no calendário público federal o ensino de filosofia política para os alunos, com o objetivo de desenvolver no eleitorado uma reflexão mais aprofundada dos elementos constitutivos da política de cada Estado. Com isso, impediria-se a total subversão das pessoas para com o bombardeamento informativo nas redes sociais. Ademais, o Governo Federal pode fortalecer as instituições de regulamentação dos provedores de internet, com a finalidade de pressioná-los a desenvolverem melhores algoritmos de filtro contra notícias políticas inverossímeis. Fazendo-se isso, o Brasil estaria no caminho certo para alcançar uma democracia saudável e uma política ideal.