Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas

Enviada em 09/06/2020

Checar e democratizar

É inegável que as redes sociais foram uma das maiores descobertas da internet na última década: conversar ficou mais rápido e fácil, compartilhar fotos de sua viagem tornou-se um ato praticamente instantâneo e até mesmo encontrar um pretendente firmou-se possível no âmbito virtual. Mas será que existem apenas vantagens relacionadas ao uso da internet? Para responder a isso, é importante analisar seu papel nas discussões políticas, e explicitar que, mesmo funcionando como agente democratizante do sistema, ela também pode atuar na manipulação de massas.

Com a popularização dos tablets e telefones celulares, o acesso  “online” tornou-se cada vez mais acessível. De acordo com uma reportagem do site “canaltech”, cerca de 74% dos brasileiros tem acesso a internet, dos quais 58% apenas pelos aparelhos móveis. Tomando por base números como esse, o governo federal decidiu facilitar o processo eleitoral para os brasileiros, disponibilizando aplicativos (como o “e-título” da justiça eleitoral) e plataformas virtuais (como o portal da transparência) que democratizam o acesso dos eleitores às informações dos candidatos, deixando-os mais aptos na escolha do futuro político.

Entretanto, as eleições de 2018 (e suas consequências) provaram que a internet e, principalmente, as redes sociais, ainda estavam despreparadas para o uso manipulado e desonesto de seus serviços. Segundo reportagens do portal “O Globo”, a propagação da “fake news” isto é, notícias falsas, cresceu exponencialmente durante o período eleitoral, e se mantém até hoje dado a ineficácia com que algumas redes lidam com elas. Em 2020, a rede social “Twitter” excluiu vários depoimentos do presidente estadunidense Donald Trump devido às fake news e, por conta disso, sofreu forte represália do governo norte-americano, chegando a perder direitos estabelecidos previamente, como a falta de responsabilidade do conteúdo publicado por usuários.

Dessa forma, fica claro que não existem apenas vantagens do uso da internet pois, se por um lado democratiza o conhecimento, por outro,  facilita a manipulação de dados e comportamentos. Cabe ao Estado, portanto, criar projetos de lei que punam propagadores recorrentes de fake news com multas de altíssimo valor, no intuito de impedir a tomada das redes com essas informações inverossímeis. Também, veicular campanhas de elucidação nas grandes mídias que demonstrem o bom uso da internet, e como registrar denúncias quando necessárias. Assim, o papel das redes sociais nas discussões políticas se tornará mais justo, verdadeiro e amplo, criando um ambiente convidativo e democrático para quaisquer eleições que vierem a ocorrer.