Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas

Enviada em 04/10/2020

Desde facilitar o envolvimento social de agorafóbicos a facilitar a busca por doadores de órgãos compatíveis, as redes sociais trouxeram grandes avanços e facilidades para a vida das pessoas ao redor do mundo. Entretanto, quando envolvida com a política e eleições, a relação entre as redes sociais e o bem da sociedade entram em desarmonia, devido ao seu usos para a difusão de notícias falsas e pelo vazamento de dados pessoais dos usuários para empresas de marketing político. Tais questões são graves e podem enfraquecer ou até mesmo destruir as democracias ao redor do mundo, então urge-se medidas que as resolvam enquanto ainda é tempo.

O filme polonês “Rede de ódio” trata de como um jovem fracassado com conhecimento de programação consegue influenciar o resultado das eleições por meio da dispersão de notícias falsas e apelando para os medos das pessoas para radicalizá-las politicamente. Partindo da ficção para a realidade, o peso das notícias falsas na política está longe de ser algo apenas algo de filmes ou mesmo apenas da Polônia, sendo um mecanismo utilizado amplamente pelos candidatos vencedores nas últimas eleições nos Estados Unidos como no Brasil. Tal utilização de notícias falsas chegou ao ponto do congresso brasileiro creditar se necessário  abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar como as “fake news” como a distribuição de mamadeiras em formato de pênis e “kits gay” em escolas influenciaram  o resultado do último pleito brasileiro de 2018.

Além disso, após a revelação da relação entre a rede “Facebook”  com a empresa “Cambridge Analytica” para o recolhimento de dados pessoais dos usuários sem sua autorização prévia para a formulação da campanha do candidato Donald Trump, criou-se uma debate ético sobre até onde a privacidade dos usuários é garantida dentro das redes sociais. Tal debate ainda continua sem uma resposta final e, sem ela, os danos desse tipo de vazamento de dados às democracias do mundo podem ser irreversíveis, pois ao utilizar os dados, principalmente os medos e receios das pessoas em relação aos problemas da sociedade, muitas delas podem se sentir atraídas pro discursos de ódio populistas e à radicalização política antidemocrática para a resolução destes problemas.

Nesse sentido, urge-se que o Ministério da Ciência e Tecnologia crie medidas que impeçam o vazamento de dos dos brasileiros à interesse de terceiros e que o Tribunal Superior Eleitoral faça propagandas na televisão, durante os horários de maior audiência, cujo o conteúdo seja a explicação para a população sobre o que é uma notícia falsa, como reconhecê-la e como denunciar um propagador delas, a fim de que tal fenômeno não afete mais a jovem democracia brasileira. Somente assim pode-se impedir que não se crie uma distopia política igual ao filme “Rede de ódio” no Brasil.