Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas

Enviada em 15/10/2020

Na obra “O Show de Truman”, de 1988, Truman é um homem cuja vida é televisionada a partir de seu nascimento. Ele não sabe, mas tudo —desde  seu trabalho, até sua esposa — foi escolhido para ele. Da mesma forma, as redes sociais, com o auxilio de seus complexos algoritmos, escolhe o que certo indivíduo pode ver e omite outras visões, assim criando uma polarização de opiniões, uma bolha. Isso interfere em diversos aspectos da sociedade, entre esses, a política.

No início, as redes foram criadas com o propósito de aproximar pessoas que estavam longe, publicar vários pontos de vista e para o amplo compartilhamento de vídeos humorísticos. E essa proposta criou um sentimento de liberdade no indivíduo que utilizava esse espaço digital, o que diminuiu seu senso crítico em relação ao que lhe era apresentado. Isso, somado a ânsia de empresas e portais por acessos, criou as “fake news”, que foram fundamentais para a eleição de Trump, em 2016 e, mais tarde, de Bolsonaro, em 2018.

Ainda convém lembrar que é um algoritmo o principal responsável pelo conteúdo que cada pessoa tem contato, essa programação mostra apenas o que está na bolha social desse indivíduo, criando um espaço livre de oposições. Isso cria um sentimento de “pertencimento” daquele ser a um certo grupo, ele vira parte de uma “seita”. O maior problema desse fato é que existem “times” diferentes e cria-se assim um enfrentamento, uma rivalidade entre essas equipes. Nas eleições de 2018, isso foi evidente, os principais grupos eram os que apoiavam os políticos Haddad e Bolsonaro. As redes possibilitaram um maior “recrutamento” de pessoas para ambos times e isso levou a uma polarização de ideias.

Com isso, pode-se concluir que esse espaço digital causa no ser humano uma falsa sensação de liberdade, o que diminui a razão e o deixa vulnerável às “fake news”, que influenciam amplamente na política. Além disso, na sua essência, polariza os usuários. Para que seus efeitos sejam diminuídos, é necessário que o Ministério da Educação, “MEC”, adicione à grade curricular dos alunos aulas de tecnologia, que expliquem o funcionamento dos algoritmos das redes e ensinem uma defesa contra as notícias falsas, a fim de melhorar o senso crítico das pessoas, desde a escola. E para que assim, como no final do filme “O Show de Truman”, as pessoas saiam da “bolha”.