Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas

Enviada em 13/10/2020

“A natureza fez o homem bom e feliz, mas a sociedade deprava-o e torna-o miserável”. Essa frase de Rousseau, importante filosofo e teórico político, demonstra a relevância que o convívio social tem na formação da personalidade do homem. Nesse viés, é notório a importância que, na atualidade, as redes sociais apresentam na criação ideológica dos cidadãos, uma vez que representam o maior grupo social do planeta. Portanto, devido a tal influência, as redes sociais desempenham um significativo papel na democracia, contudo também têm grande potencial para polarização política e indução de votos, afetando diretamente a decisão dos eleitores.

Na antiguidade, em Atenas, a isegoria (o direito que todo cidadão tem a fala) era um dos principais pilares da democracia e completamente indispensável a esse modo de governo, a qual era usada, majoritariamente, nas praças pública. De forma análoga à Ágora, são as redes sociais, que apresentam um potencial para ser um lugar altamente democrático, pois fornecem aos usuários um amplo espaço de argumentação, além de permitir o recebimento, envio e compartilhamento de informações. Dessa forma, as mídias sociais são primordiais para a participação política e ampliação da visão dos cidadãos sobre quadro eleitoral, sendo muito importante para fins democráticos.

Entretanto, as redes sociais são, atualmente, um dos principais inimigos da democracia, devido ao isolamento ideológico dos indivíduos e indução política. Nesse cenário, é notório que o os causadores de tal situação são as bolhas sociais, gerado pelos algoritmos de controle de dados que seleciona indivíduos com características ideológica parecidas e isola-os em grupos; e a propagação de fake news, distorcendo a visão do eleitor sobre o real cenário do quadro eleitoral. Nesse contexto, é perceptível que tal circunstância é extremamente prejudicial, pois causa, respectivamente, o fim das trocas ideológicas diferentes, redução da capacidade do pensamento crítico e pode induzir a vitória ou derrota dos candidatos, tendo como exemplo de tal situação as eleições de 2018, nos EUA.

Em suma, percebe-se que as redes sociais são muito importantes para fins democráticos, porém podem ser usadas como forma de controle e indução ideológica dos indivíduos, interferindo nos principais fundamentos da democracia, a liberdade e participação política. Portanto, deve haver intervenção das escolas, instituição responsável pelo ensino sistematizado dos cidadãos, por meios de aulas, palestras e cartilhas que mostrem os perigos das redes sociais, além da atuação das mídias digitais, através da uma maior fiscalização sobre a disseminação de fake news, a fim de reduzir as notícias falsas e formar cidadãos mais conscientes sobre elas, para, assim, garantir a população o pleno direito à democracia.