Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas
Enviada em 01/10/2020
De acordo com o geógrafo brasileiro Milton Santos, os avanços tecnológicos na área de telecomunicações propiciaram a troca de informações em tempo real entre diferentes regiões do globo. Nesse cenário de inovação, surgiram as redes sociais, as quais, além de conectarem as pessoas entre si, também passaram a ser palco das discussões políticas atuais. No entanto, o alcance dessas plataformas pode ser utilizado de forma a influenciar o resultado das eleições. Sendo assim, graças à manipulação feita pelas redes sociais, as discussões políticas realizadas nesses meios privilegiam o candidato que mais destinar verbas para esses meios.
A princípio, é importante salientar que, embora as mídias sociais permitam a troca de ideias entre diversas pessoas no mundo, as discussões políticas realizadas nessas plataformas não são neutras. Nesse sentido, segundo o documentário “O Dilema das Redes”, as redes sociais foram construídas de forma a manipular o comportamento do usuário, seja pelo financiamento de notícias falsas ou pela presença de algoritmos que bombardeiam o indivíduo com informações inclinadas para alguma ideologia. Sob tal perspectiva, as discussões políticas realizadas nesses meios privilegiam a posição política que mais receber investimentos. Logo, essa situação é preocupante, pois conforme o sociólogo Pierre Bourdie: “o que foi criado para beneficiar a democracia não pode ser utilizado como instrumento de opressão”, ou seja, os benefícios das telecomunicações, citadas por Milton Santos, estão sendo corrompidas em prol da manipulação do comportamento dos usuários e das eleições.
Consequentemente, o candidato que engajar-se mais nas redes sociais, com o financiamento de algoritmos e propagandas, certamente terá bons resultados nas eleições. Isso se respalda pela eleição do candidato Jair Bolsonaro para presidente do Brasil em 2018, já que, mesmo com um tempo de propaganda irrisório nos canais de televisão, conseguiu ser eleito, justamente por ter se utilizado dos métodos de manipulação das redes sociais, denunciados pelo documentário. Nesse ínterim, essa condição é prejudicial à democracia brasileira, visto que os políticos atuais passaram a ser eleitos, a priori, pela quantidade de verbas destinadas a influenciar as discussões políticas nas redes sociais.
Portanto, tendo em vista os problemas relacionados às discussões políticas nas redes sociais, os quais elegeram um presidente, urge que a Justiça Eleitoral restrinja o financiamento de campanhas nessas mídias. Essas restrições podem ocorrer por meio da imposição de uma verba máxima que
possa ser destinada a essas plataformas para fins políticos e pela aplicação de multas aos candidatos que forem flagrados utilizando algoritmos para influenciar os eleitores. Desse modo, ainda que as redes sociais possuam um amplo alcance, seu uso se tornará diferente do destacado pelo documentário.