Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas
Enviada em 14/10/2020
Na alegoria da caverna, Platão destaca que as ilusões aprisionam o homem na ignorância. O filósofo grego esclarece que ideários políticos, religiosos ou econômicos exercem enorme influência sobre os indivíduos. Tal visão filosófica comprova-se correta quando aplicada aos dias atuais, onde nota-se no mundo globalizado, o engajamento político exercido por indivíduos através de redes sociais, fazendo com que seja necessária uma análise acerca dos benefícios e malefícios de tal ato.
Em primeiro plano, é mister abordar a importância das mídias públicas e o poder que a mesma possui. Embora manifestações sejam um meio de protesto usado há décadas por cidadãos que desejam reivindicar algo, é inquestionável que a internet, atualmente, corrobora para que haja cada vez mais encontros de massas que lutam por um mesmo objetivo. Atos como o “Por 20 centavos e muito mais”, entrou para a história do Brasil como sendo a maior e mais populosa passeata, tendo como seu marco as redes sociais, pois, através delas, cidadãos brasileiros se organizaram e foram às ruas protestar contra o aumento na tarifa de ônibus, cominando, posteriormente, em manifestações pró-impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.
Em contra partida, a segregação de indivíduos por ideários políticos, como alertou Platão, também é uma realidade na sociedade brasileira. Nesse sentido, páginas cadastradas em aplicativos como o Youtube, intituladas como, por exemplo, “Movimento Brasil Livre (MBL)”, durante as eleições de 2018, distribuíam em todos os aplicativos da web notícias falsas que tinham como o intuito diminuir a popularidade do candidato a Presidência da República Fernando Haddad (PT) e apoiando o então candidato eleito, Jair Messias Bolsonaro (PSL). Fatos como esse dividem toda uma população em “direita” ou “esquerda”, fazendo com que as redes sociais sejam vistas como algo prejudicial ao bom convívio entre indivíduos.
Em suma, verifica-se a necessidade de fazer com que o ambiente virtual continue contribuindo para o exercício da democracia e que sejam escassos atos que dividem a população. Logo, cabe ao Ministério de Ciência e Tecnologia investir em meios de atenuar os índices de notícias falsas no campo virtual, isso deve ser feito através de um projeto de lei entregue a câmara dos deputados. Nele deve constar a ampliação das leis de criminalização das informações falsas sobre pessoas que disponibilizam seus nomes ao pleito eleitoral, a fim de diminuir bruscamente os altos índices divulgados na mídia. Além disso, é de suma importância que o Estado continue garantindo o direito à manifestações democráticas, para que haja o pleno exercício da Constituição Federal. Nesse ínterim, consolidar-se-á a efetivação das redes sociais como sendo totalmente proveitosa aos indivíduos e a democracia.