Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas

Enviada em 07/10/2020

O empresário Steve Jobs admitiu que ‘’a tecnologia move o mundo’’. Ao analisar a reflexão e a relacionar à realidade das discussões políticas no período eleitoral, percebe-se a sua importância para a existência das mídias sociais digitais (MSD) que mobilizam um espaço de formação de opiniões e de debate público. Todavia, esse formato participativo não é efetivo devido à crise de confiança da sociedade na política brasileira, bem como pelo ‘’desencantamento’’ em relação à democratização da ‘’internet’’.

A princípio, a participação pública ‘’on-line’’ nas eleições é medíocre em razão da falta de crença dos brasileiros nos políticos do país. Consoante o filósofo Voltaire “A política tem a sua fonte antes na perversidade do que na grandeza do espírito humano”. A luz dessa ideia, os administradores da nação são vistos como oportunistas por se envolverem em escândalos de corrupção deflagrados em operações como a da Lava Jato pela Justiça Federal. Isso posto, a pauta política-partidária perde credibilidade no Brasil hodierno, o que contribui não apenas para a ausência de profundidade nos debates públicos travados nas MSD, como, também, motiva a abstenção eleitoral.

Além disso, com a rápida disseminação de informações na Rede Global de Computadores (RGC), o mundo virtual tornou-se muito próximo do mundo real, sendo empregado, lamentavelmente, para o cerceamento da autonomia de opinião, inclusive em período de eleição. De acordo com as Nações Unidas (ONU), as pessoas têm o direito à liberdade de expressão na ‘’web’’, mas, existem empresas que solicitam padrões de moderação de conteúdos nas principais plataformas de redes sociais, os quais violam os direitos humanos. Desse modo, essas exigências autoritárias oprimem o desenvolvimento natural da democracia, e por consequência, contaminam o resultado do pleito.

Torna-se evidente que o Poder Executivo brasileiro precisa tomar providências a superar o quadro atual. Para que os usuários das MSD sejam empoderados e consigam expressar-se livremente na RGC, urge ao Ministério da Educação (MC) resgatar nas escolas os valores da política na democracia e a importância dos Direitos Humanos nos meios digitais. Isso deve ser feito recorrendo a uma ação pública que implemente no calendário das instituições de ensino o estudo da filosofia política e os princípios dos DH. Em vista disso, os jovens entenderão os fundamentos da democracia e conseguirão perceber quando seus direitos forem violados na rede. Destarte, a perversidade vista por Voltaire não prejudicaria a livre expressão de opinião no Brasil.