Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas

Enviada em 16/10/2020

Para Erving Goffman, grande antropólogo canadense, a internet induz o indivíduo a ter um comportamento alienado. Nessa perspectiva, por meio da influência de fatores coercitivos das redes sociais, o cidadão perde seu pensamento individual e junta-se a uma massa coletiva, influenciando negativamente as discussões e decisões políticas. Diante dessa realidade, as redes sociais corroboram a alienação política e a manipulação dos usuários em prol de interesses políticos específicos, que corrompem a democracia.

Evidencia-se, a princípio, que as mídias sociais determinam a ação dos indivíduos diante da política. Quanto a esse fator, as novas formas de interação com o conhecimento, sobretudo no meio virtual, permitiu a alienação dos indivíduos, tendo em vista que a cegueira induzida do corpo social é viável politicamente, na medida em que os cidadãos são tornam-se alheios as discussões políticas e aceitam quaisquer decisões importas por outrem. Essa dinâmica social é explicada pelo célebre filósofo Kant, o qual mostra, por meio do conceito de menoridade, que as decisões pessoais são tomadas pelo intelecto e influência de outros. Dessa maneira, a sociedade é presa, inconscientemente, em uma grande bolha sociocultural.

Outrossim, cabe analisar que as redes virtuais possibilitaram a manipulação dos cidadãos em proveito de interesses políticos específicos. Dentro desse ínterim, ideais governamentais e candidatos políticos são favorecidos pela disseminação de informações na internet, na proporção em que a manipulação imposta induz a passividade do usuário, que não busca fontes alternativas de conhecimento. Nesse sentido, o filósofo Feenberg afirma que a tecnologia tornou-se um produto espontâneo da civilização, assumida de forma irrefletida pela maioria das pessoas. Desse modo, percebe-se a neutralidade da sociedade diante das ideias políticas disseminadas nas redes sociais, sendo convertidas em estruturas conformistas e de incorporação das massas.

Depreende-se, portanto, a importância das redes sociais nos debates políticos. Nesse âmbito, o Ministério da Educação e o Ministério das Comunicações, em conjunto, devem, mediante amplas verbas governamentais, lançar campanhas publicitárias nas redes sociais, para advertir os internautas acerca dos riscos da alienação social diante de discussões políticas, sugerindo ao usuário criar o hábito de buscar conhecimentos em fontes de informações variadas e confiáveis, com vistas a mitigar a manipulação do indivíduo em prol de interesses específicos. Posto isso, poder-se-á reverter essa realidade.