Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas
Enviada em 15/10/2020
Na mitologia grega, a jovem Pandora recebeu de Zeus uma caixa que continha inúmeros monstros e males, mas também a esperança. Porém, a moça, ao abrir o artefato, deixou escapar apenas as desgraças. Fora da ficção, o mito adapta-se à temática do papel das redes sociais nas discussões políticas das eleições de 2018. À luz disso, o desenvolvimento tecnológico possibilitou o uso de novas ferramentas para a propaganda em campanhas. Nesse espectro, a disseminação de notícias falsas e o poder de manipulação dos algoritmos sobre as pessoas são fatores que influenciam significativamente na opinião pública – a ponto de ameaçar a integridade da democracia em várias nações.
A priori, a vitória de candidatos extremistas em países como Brasil e Colômbia denota a utilização de inverdades – impulsionadas nas novas mídias sociais - durante a construção das candidaturas. Nesse sentido, a presença de características discriminatórias de ideologias do século XX – tais como nazismo e fascismo – provocam, hodiernamente, uma nova onda de autoritarismo. Segundo o publicitário de Hitler, Joseph Goebbels: “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. Sob esse âmbito, é possível relacionar essa difusão de posicionamentos ao totalitarismo. De acordo com o artigo 5º da Constituição Brasileira de 1988, a liberdade de expressão é um direito de todo cidadão. No entanto, com a polarização política - decorrente da propagação de matérias sem veracidade -, essa prerrogativa é, com frequência, violada. Prova disso é a manifestação do ódio a quem pensa diferente.
A posteriori, cabe mencionar o filme “Matrix”, o qual mostra o domínio que a inteligência artificial pode exercer sobre a mente dos indivíduos. Nessa perspectiva, o controle e a leitura de dados pessoais, gostos e preferências dos usuários das redes sociais filtra o público-alvo de cada postagem. Somado a isso, o patrocínio de grandes empresários às mensagens publicitárias repletas de falsidades funciona como um trampolim eleitoral. Mediante a automaticidade de robôs, a disseminação de fake news torna-se veloz. Dessa maneira, os debates entre os eleitores resumem-se a uma tentativa de descobrir se as informações são verdadeiras ou não e, consequentemente, as propostas ficam em segundo plano.
Logo, é mister que as entidades governamentais e os donos de sites famosos proponham medidas de controle a essa manipulação – como a contratação de profissionais especializados em discernir a fonte dos conteúdos para averiguar sobre a procedência dos fatos. Para tanto, é fundamental a criação de uma lei que preveja a revisão dos materiais - de contas com mais de um milhão de seguidores - antes da postagem e disseminação definitiva deles. Assim, tornar-se-á possível um maior controle sobre a questão. Dessa forma, ao invés de os internautas serem bombardeados com mentiras ao abrirem a caixa do mundo virtual, presenciarão a ascensão de uma nuvem pura, somente de esperança.