Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas

Enviada em 09/10/2020

No filme “Matrix”, dirigido por Lilly e Lana Wachowski, um jovem programador começa a ser atormentado por estranhos pesadelos. Nesse viés, os sonhos ruins repetem-se com maior frequência, o desenvolvedor percebe que não conhece o que é real e vive em um mundo totalmente manipulado. Alheio ao âmbito ficcional, as redes sociais desfrutam de um papel fundamental nas discussões políticas, em virtude de dois fatores: uma grande quantidade de eleitores possui conta em alguma plataforma digital, isso faz com que elas tenham grande contribuição no resultado das eleições e as redes sociais detém o poder de manipular o usuário para influenciá-lo a votar em determinado candidato.

Mormente, um exorbitante número de pessoas faz uso de alguma página de convívio social digital, isso já teve interferência direta em eleições. Nesse sentido, no Facebook, no ano de 2016, foram divulgados diversos conteúdos falsos que difamavam a candidata Hillary Clinton, as falácias foram amplamente compartilhadas pelos apoiadores de Donald Trump, ato que colaborou para a eleição do republicano. Paralelamente, segundo o Olhar Digital, 88% da população brasileira utiliza pelo menos uma rede social. Logo, frente ao fato e ao dado supracitado, transparece o descomunal poder que o meio digital exerce sobre os eleitores, com elevada quantidade de usuários as páginas utilizam-se de algoritmos para moldar o pensamento popular a favor do político que tem preferência da plataforma.

Ademais, sufragistas são inconscientemente influenciados a votar em certos candidatos ao usufruir das suas redes sociais. Sob esse prisma, o conceito de “Indústria Cultural”, dos pensadores da Escola de Frankfurt Adorno e Horkheimer, diz que os veículos midiáticos de comunicação coletiva são utilizados para manipular e divulgar notícias falaciosas. Analogamente, em “Black Mirror”, que é uma série britânica, constantemente são feitas críticas e sátiras que retratam o poderio que as redes sociais realizam sobre as grandes massas. Com isso, nota-se que o meio digital é decisivo para decidir uma eleição, pois ao obter a confiança e o voto do eleitor da internet, o candidato adquiri alta probabilidade de vencer a eleição, assim, as redes sociais revelam alta capacidade de persuasão.

Portanto, ações fazem-se necessárias para alertar os eleitores sobre a influência da internet. Para que a população tenha consciência da problemática,  urge que o Ministério da Cidadania, por meio de patrocínio estatal, realize campanhas nas redes sociais, alertando sobre os algoritmos que os votantes são submetidos e sugerir ao internauta que busque informações em relação aos candidatos em fontes confiáveis, dessa forma, a dominação virtual irá diminuir drasticamente. Somente assim, o quadro atual será resolvido, evitando que a manipulação retratada em “Matrix” continue acontecendo.