Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas

Enviada em 16/10/2020

A “Ágora” — “praças públicas” da Grécia Antiga — era onde os gregos discutiam assuntos ligados à vida da cidade de Atenas. À vista disso, grande parte da população mundial utiliza da internet como forma de participarem ativamente dos processos políticos. Isto posto, deve-se destacar a importância e a influência das redes sociais como forma de contribuir para a sociedade de maneira mais efetiva com a contestação de ideias. Entretanto, o seu uso negativo pode se tornar um meio de propagação de ódio, uma vez que a falta de um questionamento contundente e crítico pelas esferas midiático e social acerca do tema é uma marca contínua, representando uma relevante mazela.

A princípio, compreende-se que, conforme aumentam os espaços de participação e os conteúdos aos quais a população tem acesso, mais informações passam a circular. A esse respeito, a Primavera Árabe — onda revolucionária de manifestações no Oriente Médio — têm compartilhado formas de resistência civil, bem como o uso das mídias sociais, como o Facebook, para comunicar e sensibilizar a comunidade internacional em face da repressão e censura na Internet por partes dos Estados. Todavia, observa-se que diálogos são substituídos por discursos de ódio, haja vista que persiste um ataque ofensivo contra o indivíduo que discorda de seu posicionamento, indo contra o objetivo da Primavera Árabe, considerando a intolerância de tais pessoas diante de situações comuns. Nesse sentido, enquanto o sentimento hostil for a regra, o respeito será a exceção no grupo civil.

De outra parte, a associação das redes sociais à esfera pública possibilitou aos cidadãos interessados de possuir certa influência em tal meio. Nesse viés, Jürgen Habermas — filósofo alemão da Escola de Frankfurt — considera o debate público um diálogo intersubjetivo, ou seja, que ocorre entre sujeitos, pois compreende que é a partir do discurso dos participantes e na troca de ideias que se busca um entendimento. Dessa forma, possibilita-se a ascensão, no meio virtual, do poder da influência da figura social diretamente às temáticas políticas e de pontos de vista, conferindo a participação de muitos, mesmo à distância, tendo, assim, convicções iguais ou modificação de uma opinião e perspectiva sobre um tema. Logo, as redes sociais possuem fundamental papel em discussões políticas.

Portanto, as mídias sociais possuem função significativa no núcleo social e a pautar a interação público. Assim, cabe aos governos estaduais ampliar o fornecimento do acesso à internet, em parceria com o Ministério de Ciência e Tecnologia, disponibilizando sinal de wi-fi gratuito nas ruas, bem como a inclusão digital de comunidades carentes. Além disso, compete às escolas criar espaços comunicativos sobre temas políticos, por meio de projetos pedagógicos que visem conscientizar, a fim de formar cidadãos respeitosos. Assim, será possível construir uma sociedade mais pacífica e racional.