Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas

Enviada em 05/10/2020

Nos últimos anos a conectividade vem aumentando radicalmente no mundo, um exemplo disso é que dados informacionais ultrapassaram o petróleo como o ativo mais valioso do planeta. Essa integração é feita majoritariamente pelo uso de redes sociais, estas por sua vez tem um amplo impacto a realidade contemporânea. Conforme o documentário de Netflix “The Great Hack” (em tradução livre: O grande hack), as mídias populares tiveram papel decisivo na saída do Reino Unido da União Europeia e no processo eleitoral que elegeu Donald Trump nos Estados Unidos e Jair Bolsonaro no Brasil. Logo, percebe-se que as plataformas online de comunicação corroboraram com discussões políticas que culminaram no resultado da eleição presidencial de 2018.

Em primeiro lugar, é importante salientar que a internet viabiliza a manipulação política de cidadãos. Segundo uma pesquisa da Ipsos e da Fecomércio-RJ, 70% dos brasileiros estão conectados virtualmente e 90% do total apurado faz uso das redes sociais. Nesse cenário, é possível analisar que a maioria da população está inserida nesses sites e consequentemente há uma maior exposição desses indivíduos a diversos conteúdos, inclusive políticos, patrocinados por entidades físicas ou jurídicas. Então, vê-se que a sociedade está visualizando cada vez mais informações que pretendem induzir cada usuário a determinada ação.

Além disso, as congregações virtuais foram usadas na mais recente eleição presidencial. De acordo com Bem Supple, gerente de políticas públicas do Whatsapp, empresas utilizaram sua plataforma para disparos massivos de mensagens favoráveis a candidatura de Jair Bolsonaro. Ao passo que 63% da comunidade brasileira usa tais redes (70% x 90%) e nelas ocorrem debates diversos, pode-se concluir que foram geradas discussões e por consequência decisões políticas foram influenciadas por causa desses materiais enviados. Ainda nesse contexto, há como questionar a procedência e a veracidade das informações contidas nesses textos, pois muitas vezes não podem ser verificadas. Assim, constata-se que as mídias sociais influenciaram o sufrágio brasileiro.

Portanto, nota-se que as redes de comunicação social afetaram o processo democrático de 2018. Por isso, a Câmara dos Deputados de elaborar um conjunto de leis quem impeçam empresas e políticos de utilizaram tais plataformas sociais para disseminar ideias e outros tipos de informação, a fim de garantir que não haja manipulação do eleitorado. Ademais, o Ministério Eleitoral precisa formular cartilhas e distribuí-las em lugares públicos. Elas necessitam estimular os cidadãos a buscarem informações seguras sobre seus candidatos, para que a comunidade não acredite em “fake news”. Apenas com essas medidas os brasileiros terão uma verdadeira independência política.