Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas
Enviada em 03/10/2020
Na Grécia antiga o conceito de democracia, com suas limitações, e as discussões políticas eram debatidas na ágora, um espaço em que os atenienses exerciam suas funções de cidadãos e políticos. Analogamente, na contemporaneidade as redes sociais emergiram com o discurso de espaços amplos e democráticos, uma nova ágora moderna, entretanto, discussões recentes como fake news e manipulação de dados contestam essas alegações. Nesse âmbito, é necessário compreender o papel das redes sociais em moldar e intermediar o debate público, bem como suas implicações para o conceito de democracia.
Em primeira análise, destaca-se os mecanismos de manipulação da opinião pública nas redes. Desse modo, segundo matéria do jornal “Folha de São Paulo”, a manipulação das redes sociais para uso político atinge grande parte das democracias ocidentais, com destaque para o Brasil e Estados Unidos. Nesse sentido, o ambiente virtual - apesar das grandes empresas alegarem que são espaços neutros - geram uma falsa sensação de liberdade de expressão, manipulando emoções, como medo, ódio e ansiedade, isto é, os usuários navegam em trilhos já determinados pelos algoritmos e ficam sujeitos aos interesses privados e pensamentos políticos hegemônicos, gerando, desse modo, indivíduos sem criticidade e autonomia.
Além disso, é imprescindível pensar nas redes como uma ameaça aos preceitos democráticos. Nessa conjuntura, de acordo o filósofo Habermas, a democracia fundamenta-se no princípio comunicativo e na esfera pública, contudo, o caráter mercadológico dessas esferas na sociedade contemporânea, materializado nas redes sociais, gera uma relação de mercadorização e dominação do espaço público. Assim sendo, sob a égide do lucro das grandes corporações, o consenso e a comunicação - conceitos primordiais para pensar a política moderna – são privatizados para os espaços das grandes redes, extinguindo e excluindo, dessa maneira, o diálogo livre e democrático nas discussões políticas.
Portanto, as redes sociais, apesar de globalizar as relações de comunicações, estão emaranhadas em relações de poder e manipulação. Nessa perspectiva, o Governo Federal em conluio com o Ministério da Educação e Ministério da Justiça, devem criar mecanismos para proteger os dados dos usuários, por meio de implementação de leis que visem o suporte jurídico aos indivíduos que se sentirem lesados, bem como problematizar essa temática nas escolas, através de aulas como ética e direito, além de filmes e documentários visando uma construção autônoma e crítica dos estudantes.