Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas

Enviada em 03/10/2020

O acesso cada vez maior a internet e o crescente número de membros em redes sociais em todo mundo, tem apontado as mídias sociais como um importante meio de veiculação de informação, propaganda, de comunicação, interação social, debates e discussões políticas. Também usada como um meio de manipulação da opinião pública, pela uso de inteligência artificial, curadoria algorítmica de notícias, análise de big data, bots, veiculação de notícias falsas, dentre outros.

Não há dúvida que as redes sociais, permitiram uma maior expressão de opinião por pessoas “comuns”, não centralizando discussões e debates apenas a uma minoria da população. Mas, além de um meio de expressão de opinião, transformou-se em um meio de manipulação de opiniões.

Nas eleições de 2018 no Brasil, em que houve a disputa presidencial, observou-se uma grande veiculação de “fake news”, notícias falsas publicadas intencionalmente com o objetivo de manipular grande parte da população, por próprios líderes políticos, hoje investigados pela polícia federal quanto ao possível cometimento desses atos ilegítimos, praticados também por apoiadores, pessoas anônimas que criam perfis falsos, e por mídias diversas.

Nos Estados Unidos, nas eleições de 2016, a empresa americana, Cambridge Analytica, de análise de dados, foi acusada de usar informações pessoais, não autorizadas, de inúmeros usuários do Facebook para fins políticos, com o objetivo de direcionar suas escolhas, a favor de Donald Trump, que concorria à presidência.

Nesse contexto, levando em consideração o Brasil, torna-se clara a necessidade de regulamentação do uso das redes sociais por parte do Governo Federal, em debate com a população, a fim de garantir a privacidade do usuário, de suas informações, e haver transparência e segurança no uso das redes sociais. Ações educativas por parte do Governo Federal, também devem ser realizadas, a fim de instruir as pessoas quanto aos cuidados que devem ter nas redes sociais, resguardando informações pessoais. A construção de um pensamento crítico na população em geral, e em crianças logo nos primeiros anos das escolas públicas e privadas, a buscarem informações de qualidade, em sites confiáveis, comprometidos com informações baseadas em evidências.

Não há uma solução fácil, considerando que uma parcela significativa da população ocupa um ambiente hiperpartidário, rico em propagandas, mas a regulamentação dessas plataformas e o estímulo a educação pode ajudar a coibir o uso desonesto das redes sociais, e com educação os usuários tornam-se críticos quanto as informações recebidas.