Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas
Enviada em 05/10/2020
O tema Modernidade Liquida do sociólogo Zigmunt Bauman representa uma metáfora de comparar propriedades dos líquidos, como a forma variável, com a sociedade contemporânea. Sob essa ótica, no contexto de discussões politicas, as redes sociais configuram um fator da volatilidade social apresentada por Bauman haja vista que, os conteúdos propagados no meio digital podem persuadir e alterar perspectivas dos receptores em relação a discursos partidários falaciosos.
Em primeiro plano, sabe-se que existem métodos para divulgar uma noticia enganosa ou persuasiva. Assim, é valido lembrar que o Ministério da Propaganda nazista buscou, por meio do radio e cinema, induzir os telespectadores a apoiarem os ideais de Adolf Hitler. Contudo, hodiernamente é ainda mais fácil e rápido produzir e propagar ideologias unilaterais pois, através das redes sociais é possível, por exemplo, criar perfis falsos para mobilizar a população com o intuito de compartilhar assuntos polêmicos e alcançar grande repercussão. Dessa maneira, a população pode ser acometida por mensagens mentirosas visto que os aplicativos de interação digital normalmente não citam fontes confiáveis.
Ademais, no passado a cidade-estado Atenas debatia assuntos políticos na Agora, espécie de praça publica, e assim era possível o debate de ideias divergentes. Todavia, o âmbito das discussões politicas atuais são as redes sociais, as quais tendem a criar uma bolha social ao invés de haver debates democráticos. Assim, nota-se que tal fato acontece pois os algoritmos, que representa um método matemático, quantifica o tipo de conteúdo que um individuo acessa e então, um filtro seleciona e passa a propagar apenas assuntos semelhantes. Desse modo, a resultante é um nicho de interatividade seletiva em razão de indivíduos de mesma ideologia politica trocarem notícias apenas com eles próprios, em exclusão daqueles que possuem opiniões diferentes.
Portanto, é indubitável a necessidades de medidas para combater a instabilidade social gerada pelas discussões politicas nas redes sociais. Por isso, cabe ao Ministério do Supremo Eleitoral elaborar propagandas midiáticas de caráter educativo, o conteúdo deve abordar sobre a importância de não acreditar nas notícias divulgadas nos aplicativos digitais caso não tenha a fonte de veículos de comunicação confiáveis e também, como o debate de ideias diferentes é importante para uma democracia isonomica. Tudo isso a fim da conscientização da população sobre noticias falsas propagadas nas mídias digitais.