Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas
Enviada em 07/10/2020
Durante a Primavera Árabe, um dos eventos históricos mais marcantes da última década, as mídias sociais mostraram seu potencial de influência política com a organização de protestos capazes de derrubar regimes autoritários. Diante disso, esse mesmo poder molda as discussões políticas atuais no Brasil e no mundo. Nesse sentido, convém analisar tanto a forma como a disseminação de notícias falsas contribui para a perda do senso comum sobre a realidade, quanto a maneira como algoritmos incentivam a polarização dos cidadãos.
Primeiramente, a propagação de mentiras nas redes sociais é altamente prejudicial para o debate político, à medida que com a destruição da percepção de realidade nenhum conhecimento construtivo pode ser alcançado. Sob esse viés, uma pesquisa do MIT mostrou que as “fake news” tiveram um alcance seis meses maior que notícias verdadeiras. Assim, é inadmissível que essa competição desequilibrada entre fatos e textos escritos, especificamente, para um engajamento fabricado não seja amplamente combatida pelos órgãos responsáveis.
Outrossim, o modelo de funcionamento das redes sociais prioriza acima de tudo o tempo de tela do usuário, no contexto do pensamento político existem verdadeiras bolhas sociais nas quais os pontos de vista são sempre reafirmados e emoções poderosas como o medo e a raiva exploradas. De acordo com o documentário premiado “O Dilema das Redes” os algoritmos de plataformas como o Facebook usam a psicologia humana para captar dados em prol da manipulação comportamental. Dessa forma, é deplorável que o ambiente virtual seja monopolizado por um sistema de ferramentas de radicalização.
Faz-se necessário, portanto, que a ONU – Organização das Nações Unidas – crie um plano de ação sobre o papel da internet na esfera política contemporânea, por meio de debates acerca das possíveis medidas a serem tomadas tanto por países quanto pelas empresas responsáveis. Esses debates podem contar com o depoimento dos organizadores do movimento de combate a fake news Sleeping Giants, além do especialista e escritor Jaron Lanier. Espera-se, com isso, proporcionar um ambiente onde as discussões são preservadas em harmonia com valores democráticos que inspiraram a Primavera Árabe.