Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas
Enviada em 07/10/2020
‘‘Viver bem é mais importante do que viver.’’ Segundo Platão, a qualidade de vida tem tanta importância de modo que ultrapassa a da própria existência. Contudo, essa não é uma realidade nas sociedades em que o voto é influenciado por notícias inverídicas que são compartilhadas nas redes sociais. Dessa forma, ao invés de agirem para aproximarem a realidade descrita por Platão da vivenciada por esses indivíduos, o poder público e a propagação de informações falsas contribuem para que a realidade platônica seja utópica.
Mormente, é preciso dissertar sobre o papel que o poder público exerce no tema em foco. Segundo a Constituição, é dever do Estado garantir que todo cidadão brasileiro tenha acesso aos direitos que lhe assegurem um bom desenvolvimento físico e mental. Diante disso, o momento eleitoral é de suma importância para que o cidadão confira as propostas dos candidatos e decida votar no político que apresente as melhores formas de garantir esses direitos. De acordo com o portal G1, apenas 36% dos brasileiros leem as propostas dos seus candidatos. Ademais, 72% recebem e compartilham notícias políticas nas redes sociais. Tais dados demonstram uma incoerência presente nessa sociedade, essa contradição contribui para que os direitos constitucionais não sejam assegurados.
Em segundo plano, é necessário destacar a propagação de informações falsas nas redes sociais como expoente da situação. Segundo o filósofo Sócrates, ‘‘o homem anseia por conhecimento.’’ De maneira análoga, é possível que, em uma sociedade globalizada, onde notícias circulam com extrema facilidade, o homem, ao tentar saciar o seu desejo, se informe com notícias inverídicas. De acordo com a revista Superinteressante, desde que as redes sociais se tornaram o palco principal dos políticos, o número de debates foi diminuído. O compartilhamento dessas mentiras transforma a democracia em uma ilusão, ao passo que, em sua origem, tal sistema político tinha o intuito de, por meio de debates, formar ideias benéficas ao povo.
Logo, medidas devem ser tomadas para que a realidade platónica deixe de ser utópica. É preciso que o poder Legislativo torne as redes sociais um mecanismo de compartilhamento de propostas, e não de propagação de informações falsas, por meio da criação de leis que punam candidatos e eleitores que utilizem esses meios tecnológicos como fonte de popularização do ódio e de notícias falsas. Tais leis seriam impostas por meio de mudanças na legislação brasileira. Com essas medidas, espera-se que o número de informações inverídicas, que são compartilhadas nas redes sociais, seja diminuído, e as propostas verdadeiras e democráticas ganhem espaço em tais meios tecnológicos. Com isso, é esperado que o bem-estar da população seja assegurado.