Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas
Enviada em 04/10/2020
Durante boa parte do Brasil República havia o voto de cabestro, ou seja, os indivíduos tinham de declarar seu voto em público, sendo muitas vezes coagidos ao eleger seus representantes. Hodiernamente, após lutas sociais, direitos como o voto secreto foram conquistados. Contudo, a influência das redes sociais nas eleições brasileiras de 2018 demonstra que no Brasil ainda há a manipulação dos indivíduos, mesmo que de formas mais sutis.
A princípio, a Constituição Federal de 1988 – em seu artigo quinto – assegura aos indivíduos o direito à liberdade. Entretanto, apesar de cerca de 70% da população brasileira ter acesso às redes sociais e destas serem ferramentas de disseminação e democratização das informações, grande parte desse público não possui o discernimento necessário para filtrar as informações. Logo, são manipulados e tem seu direito à liberdade, de certo modo, usurpado.
Acrescente-se que, conforme descreve o pensador inglês Francis Bacon, nas sociedades há ídolos. Trata-se de falsos conceitos, coisas que impedem os sujeitos de enxergar os acontecimentos com clareza. No Brasil contemporâneo um desses ídolos é o fenômeno da Pós-verdade. De certo, as redes sociais são um meio de adquirir conhecimento, estar consciente dos acontecimentos e aumentar a participação social dos indivíduos. Contudo, graças à Pós-verdade, muitas vezes, a internet é usada para confirmar opiniões pré-existentes, ao invés de questioná-las ou aprimorá-las. Desse modo, não há o desenvolvimento ou a maturação das opiniões, mas uma verdadeira estagnação.
Portanto, é imprescindível que sejam tomadas atitudes quanto à disseminação de Fake News, assim como desenvolver o senso crítico dos sujeitos para que eles estejam menos vulneráveis e possam exercer seu direito fundamental à liberdade. Para tanto, a Câmara Legislativa brasileira deve aprovar uma Lei que torne as Fake News crime. Além disso, o Ministério da Educação deve incluir na Base Nacional Comum Curricular a disciplina de Participação Social e Cidadania, na qual os estudantes aprenderão não só quais são as fontes de informação confiáveis como também seu papel como cidadãos responsáveis.