Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas
Enviada em 15/10/2020
Kit gay distribuído em escolas para crianças de 6 anos. Candidato Fernando Haddad defende incesto e comunismo, além de ter como promessa de campanha legalizar a pedofilia. Bolsonaro se alistaria no exército nazista. Todas as frases citadas anteriormente ficaram famosas no ano de 2018, pois tratavam-se de notícias mentirosas, popularmente chamadas de “fake news”, que foram espalhadas nas redes sociais a fim de prejudicar candidatos que estavam concorrendo a presidência do país. Tendo em vista que elas espalharam-se de forma avassaladora e convenceram milhares de pessoas, torna-se indiscutível que as fake news tiveram influência direta nos votos dos brasileiros, afetando o senso crítico deles e consequentemente o destino das eleições.
Em primeiro plano, é necessário destacar que o efeito das notícias falsas é extremamente nocivo porque grupos mal intencionados utilizaram desse recurso para espalhar postagens absurdas e mensagens bombásticas que induzissem o eleitor a não votar em determinado candidato, afetando diretamente a decisão dos cidadãos, principalmente aqueles que têm como hábito se informar através das redes sociais. Essa situação é preocupante porque, segundo uma pesquisa realizada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado, 79% dos entrevistados afirmaram utilizar o Whatsapp como principal fonte de informação. Com isto, pode-se chegar à premissa de que eleição foi de certa forma manipulada, pois o resultado final desta foi impactado por votos baseado em mentiras e calúnias.
Somado a isso, está o fato de que a proliferação de notícias falsas também contribuiu para que os usuários das redes fossem controlados pelas “bolhas filtro”, recurso empregado por aplicativos. Quando um indivíduo tem acesso a um conteúdo que corrobore o seu ponto de vista, mesmo que a informação seja falsa, ele receberá somente conteúdos similares, proporcionando a sensação irreal de que ele está correto e que todos pensam da mesma maneira que ele, tornando a pessoa intolerante a outras opiniões. Contudo, segundo o filósofo John Stuart Mill, a liberdade de expressão é muito importante para a sociedade, pois é através do diálogo que os indivíduos podem refinar o seu posicionamento, e racionalizar/refletir sobre a veracidade de seu pensamento, quando confrontados sobre este.
Evidencia-se, portanto, que medidas são necessárias para que o impacto deste problema seja minimizado. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Comunicação, através dos grandes meios de comunicação, utilizando comerciais, folhetos etc., informar e orientar a população de que antes de compartilhar uma notícia, é necessário utilizar-se do benefício da dúvida e checar se a informação em questão é realmente verdadeira, evitando que ela se espalhe. Como consequência, a sociedade será composta por cidadãos críticos que não contribuirão para a disseminação de informações equivocadas.