Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas
Enviada em 05/10/2020
Não é exclusivo da contemporaneidade o uso dos veículos de comunicação como forma de controle do que a sociedade deve saber, ou até mesmo de como pensar. Durante anos, quem ocupou esse papel foram os jornais, que em períodos ditatoriais, como em 1964, foram censurados e controlados por interesses divergentes à população. Hoje em dia, quem assume esse papel, muitas vezes até com mais força de propagação, são as redes sociais, o meio mais popular para espalhar fake news. Porém, é nos períodos de eleição que essas máquinas de informação falsa ganham mais voz, atrapalhando reais discussões políticas e reais reportagens, com matérias e dados manipulados. Assim, o papel da Internet e dos jornalistas sérios cada vez mais perde credibilidade e abre portas para discórdia e desinformação.
O período eleitoral é um momento muito importante e decisivo para toda população, e a cada ano que a tecnologia se aprimora, seu uso se torna menos criterioso, com divulgação de notícias falsas, sites com fontes no mínimo duvidosas e ainda, controle de algoritmos pelas grandes corporações. De acordo com a Veja, o Whatsapp é o maior vilão, responsável por quase 75% das fake news espalhadas online, tornando o público menos escolarizado e de classes mais baixas, o majoritário a ser suscetível a esses golpes e enganações, que por vezes, põe o futuro de um país em jogo por causa de fantasias e calúnias, que atentam a democracia e atrapalham reais pautas.
Para Antônio Lobo, “um povo que lê nunca será um povo escravo”, porém, é possível adicionar a essa famosa citação, que um povo que desconhece suas fontes e nunca questiona a veracidade de sua leitura além do senso comum, também pode ser facilmente manipulado. Tal manipulação dos indivíduos pelas redes sociais não é novidade, porém, quando falamos de algo tão importante como debate político, é necessário entender a fragilidade que este está sendo exposto quando não são averiguadas as notícias, podendo facilmente levar a adulteração de fatos e a disseminar o ódio.
Portanto, para combater essas fraudes que tanto vem atrapalhando a nossa democracia, é necessário que nossas leis estejam atualizadas de acordo com as tecnologias. Dessa forma, o Ministério da Justiça deve estar criando leis específicas para criminalização da divulgação e compartilhamento das fake news. Assim, o trabalho jornalístico voltará a ter o seu devido prestígio e veracidade, e a sociedade sentirá menos o impacto negativo das fake news sobre à democracia e liberdade de escolha.