Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas

Enviada em 05/10/2020

Desde facilitar o envolvimento social de agorafóbicos a facilitar a buscar por doadores de órgãos compatíveis, as redes sociais trouxeram avanços e facilidades para a vidas das pessoas ao redor do mundo. Entretanto, quando envolvida com a política e eleições, as redes sociais e o bem da sociedade entram em desarmonia, devido ao seu uso para a difusão de notícias falsas e pelo vazamento de dados para empresas de marketing político. Tais questões são graves e podem enfraquecer ou até destruir democracias  ao redor do mundo, então urge-se medidas que as resolvam enquanto ainda é tempo.

O filme polonês “Rede de ódio” aborda como um jovem fracassado, com conhecimento de programação, consegue influenciar as eleições em seu país por meio da dispersão de notícias falsas e apelando para o medo das pessoas para radicalizá-las politicamente. Partindo da ficção para a realidade, o peso das notícias falsas está longe de ser algo apenas de filmes ou mesmo uma idiossincrasia polaca, sendo um mecanismo utilizado amplamente pelos candidatos vencedores nas últimas eleições nos Estados Unidos e no Brasil. Tal utilização de notícias falsas chegou ao ponto do congresso brasileiro acreditar ser necessário abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar como as “fake news”, como a distribuição de mamadeira em formato de pênis e “kits gay” em escolas, influenciaram o último pleito brasileiro em 2018.

Além disso, após a revelação das relações entre a rede “Facebook” com a empresa “Cambridge Analytica” para o recolhimento de dados pessoais dos usuários sem autorização prévia para a formulação da campanha do candidato Donald Trump, criou-se um debate ético sobre até onde a privacidade dos usuários é garantida nas redes sociais. Tal debate ainda continua sem resposta uma resposta final e, sem ela, os danos desse tipo de vazamento às democracias do mundo podem ser irreversíveis, pois, ao utilizar dados, principalmente os medos e receios das pessoas em relação aos problemas da sociedade, muitas delas podem se sentir atraídas por discursos de ódio populistas e à radicalização política antidemocrática como forma de resolução dos problemas sociais.

Nesse sentido, urge-se que o Tribunal Superior Eleitoral crie propagandas na televisão, durante o horário de maior audiência na televisão aberta, cujo o conteúdo seja a explicação de maneira simples, didática e acessível sobre o que é, como descobrir uma notícia falsa e como denunciar um propagador delas. Tal medida possui precedentes, pois o mesmo modelo foi utilizado para explicar o funcionamento da urna eletrônica e a como utilizar a biometria digital quando ela foi implantada.  Somente assim a sociedade brasileira conseguirá reverter os danos causados pelas notícias falsas na última eleição e poderá impedir que não ocorra uma distopia política igual so  filme “Redes de ódio” no Brasil.