Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas

Enviada em 13/10/2020

Em 2016 nos Estados Unidos as redes sociais foram utilizadas como recurso de propaganda política, tal como a televisão e o jornal em seus ápices de comunicação. A mesma estratégia foi usada em 2018 nas eleições presidenciais do Brasil. Como resultado, Jair Bolsonaro elegeu-se tal como Donald Trump: através da manipulação de informações e dados para propaganda política feita nas mídias sociais, o que representa uma ameaça à democracia com graves consequências para as discussões políticas desses países.

Na atualidade, as redes sociais representam o maior banco de dados por compartilharem informações de bilhões de pessoas. Assim, o emprego dos mecanismos de propagação das redes como ferramentas de engendramento político se tornou decisivo, perigoso e capaz de alterar a realidade além das fronteiras do mundo virtual. Como mostrado no documentário O Dilema Das Redes, 2020, produzido pela Netflix, esses dados, organizados, adquirem influência para manipular os usuários com notícias falsas, teorias da conspiração e aumento desonesto da reputação de candidatos e pautas políticas destinados a grupos específicos que se tornam eleitores e consumidores em potencial, o que somado com função de compartilhar, cria bases eleitorais e ideológicas ideais.

Dessa forma, a democracia é colocada em risco, já que os eleitores são coagidos a se posicionar de certa maneira diante do mundo, de acordo com a ideologia proposta e compartilhada nas mídias socais. Esse processo não ocorre de forma unilateral, visto que massas opostas são organizadas para se combater, o que gera a polarização política nacionalista e ideológica, que por sua vez, atribui voz ao extremismo que sai do mundo virtual para o real, que busca se justificar no paradigma representado pela oposição partidária e indenitária. Como nos mostra o caso do atentado à sede da produtora Porta dos Fundos em 2019 por grupos Integralistas devido ao especial de natal, com pautas progressistas, lançado por ela na Netflix no mesmo ano.

Conclui-se que as redes sociais são as principais vias de informação, com um contingente de dados capaz de transformar os rumos de eleições, causar atentados e colocar vidas em risco. O fato é que toda essa informação não possui segurança, e parvas são as leis que as protegem, assim, ficam a cargo de empresas e anunciantes que usam sem restrições dados ao seu favor. Sendo assim, é necessário que os órgãos de segurança informacional privados, juntamente com a ação estatal, busquem por regulamentar, a fim de proteger, e não manipular, os dados disponibilizados na internet de forma a efetivar a Portaria GSI/PR nº93/2019 de proteção de dados, o que assegurará privacidade e integridade dos usuários, para que assim a guerra cultural nascida nas redes encontre seu fim.