Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas

Enviada em 06/10/2020

“Se você não paga por um produto, é sinal de que o produto é você”. A máxima de Andy Lewis, jornalista americano, admite que não há somente entretenimento no uso de redes sociais. Há por traz da mesma, uma intenção: manter seus usuários na plataforma, para que se ganhe mais dinheiro com publicidade e afins. Entretanto, a consequência desse tempo gasto nos aplicativos é da imersão de pessoas em bolhas sociais, afetando o senso critico comum, dificultando a convivência de opiniões contrarias e ameaçando o espirito democrático, fruto dessa extrema polarização politica.

Um original da Netflix, “o dilema das redes”, explica os mecanismos de manipulação de internautas, para que essas grandes empresas tenham acesso a seu tempo e opiniões pessoais, afim de que eles passem mais tempo consumindo o conteúdo oferecido. Pesquisas, comentários  e curtidas geram dados, para que a inteligência artificial saiba exatamente o que aquele usuário quer em seu feed. É oferecido, então, somente noticias e postagens que vão de encontro a seus ideais.

Porém, o contato somente com ideias concordantes afeta o senso critico, uma vez que não é pautado o pensamento do outro, podendo ser até mesmo distorcido. E não há qualquer incentivo para uma discussão saudável, formando as bolhas sociais. Além disso, o sistema impulsiona o conteúdo apenas pelo algoritmo, não sendo capaz de distinguir as noticias verdadeiras das falsas, espalhando a mentira e dificultando ainda mais o dialogo entre as partes. O que era pra ser o século da informação, acaba sendo o da desinformação e alienação, no Brasil e no mundo.

Para que seja evitado o isolamento ideológico, é preciso haja uma conscientização coletiva sobre a natureza das redes sociais, ou seja, que é tudo personalizado para que o usuário nunca seja discordado e queira sair da plataforma, além de ser palco de diversas fake news. A pauta pode ser abordada nas escolas e nos diversos espaços de trabalho, afim de ampliar a consciência geral na hora do voto.  Além disso, é positiva promoção de debates  políticos nesses mesmos ambientes, para que, gradualmente, a polarização se amenize, e a democracia volte a ser um abraço coletivo daqueles que diferem entre si.