Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas
Enviada em 06/10/2020
Segundo o importante literato inglês, Aldous Huxley, “Os fatos não deixam de existir só porque são ignorados.” Nessa esteira de pensamento, podemos suscitar discussões sobre as eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas, como tema que, apesar de ser um grande problema, muitas vezes invisibilizado no país, ele repercute em diversas áreas sociais. Ademais, essa problemática é de grande relevância não só para os órgãos competentes mas também para todo um corpo social, que, de algum modo, é afetado direta ou indiretamente por essa incômoda situação. Esse fato se dá pela negligência estatal em relação ao cumprimento da lei e pelas informações compartilhadas por internautas nas mídias sociais.
Ao analisar o cerne da questão, vê-se que a censura das mídias pelo Estado é decorrente das bases históricas do país. Esse aspecto pode ser percebido na Era Vargas, por exemplo, Getúlio criou o DIP - departamento de imprensa e propaganda - com o intuito de servir como instrumento de censura e propaganda do governo, mostrava apenas o que era benéfico a ele. De modo análogo, essa questão se estende até os dias atuais, lastimavelmente o Estado ainda tenta controlar as mídias, ao seu favor, como foi visto em 2018 muitas ‘fake news’ foram disseminadas nas eleições. Mostrando a ineficiência estatal em cumprir o direito contido no artigo 138 e 139 da Constituição o qual, afirma que é punido aquele que difama e calunia o outro.
Além disso, a omissão desses fatos pela sociedade e pelas instituições governamentais traz prejuízos para todo um corpo social. Conforme Pierre Bourdieu, aquilo que foi criado para ser um instrumento de democracia não deve ser convertido em uma ferramenta de manipulação. Desse modo, votar é um direito de todos, porém os candidatos em muitos casos compartilham ‘fake news’ de seus opositores e alguns cidadãos também o fazem, acreditando nessas mentiras e disseminando-as nas redes sociais e manipulando em massa a população.
Pela observação dos aspectos analisados, cabe ao Estado, como gestor dos interesses coletivos, criar mecanismos para que a lei seja cumprida e em época de eleição as mídias não fiquem abarrotadas de notícias falsas, por meio da verificação das mensagens muito sensacionalistas e sites suspeitos, e impedir que os candidatos tentem controlar as mídias sociais, a fim de melhorar essa incômoda situação. Somando a isso, compete à sociedade, criar novos paradigmas éticos acerca desse problema por meio de mobilizações nas redes sociais, com o propósito de saber se as notícias compartilhadas são verdadeiras ou não e diminuir o impacto negativo dessas notícias. Sendo assim, a fala de Huxley não mais fará sentido.