Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas

Enviada em 07/10/2020

“O mundo enriqueceu-se de uma beleza nova: a beleza da velocidade” - a frase exposta no livro “Manifesto Futurista”, do autor Fillippo Marinetti, exalta as inovações tecnológicas da modernidade. Nesse sentido, as tecnologias, hodiernamente, aliam as redes sociais ao processo eleitoral e possuem influencia negativa, como vista nas eleições mundiais de 2018, nas decisões políticas dos cidadãos, sobretudo, no Brasil. Entre os precursores para esse cenário, destaca-se o controle de dados no meio virtual e, como consequência, evidencia-se a atenuação do exercício da cidadania dos indivíduos.

A princípio, vale ressaltar acerca da questão operacional do meio de comunicação virtual e a sua utilização por parte dos candidatos. Segundo o filósofo Marshall McLuhan, as ferramentas tecnológicas modificam o modo de pensar do homem, isto é, as funções das redes sociais, ao possibilitarem a seleção automática de conteúdos, direcionam o indivíduo a uma linha de pensamento específica no ciberespaço em um período eleitoral. Assim, como estratégia de eleição, muitos políticos e seus respectivos associados tendem a propagar notícias falsas de seus oponentes, uma vez que, o cidadão e usuário das redes, ao mostrar interesse na leitura de uma matéria sobre corrupção do candidato opositor, por exemplo, recebe, involuntariamente, informações negativas dessa pessoa e, assim, aquele, o qual propagou a falácia, ganha prestígio no processo em questão.

Outrossim, cabe abordar as consequências da minimização do exercício da cidadania aos brasileiros. Conforme o sociólogo Schopenhauer, os limites do campo de visão do homem determinam o seu entendimento a respeito do que o cerca, ou seja, as informações virtuais adquiridas no processo eleitoral conduzem o cidadão para a sua decisão final na escolha de um candidato. Diante disso, as redes sociais, em união com as medidas oportunistas dos concorrentes, como citado anteriormente, propendem a alienar os eleitores, à medida que impedem o seu conhecimento a respeito da totalidade de propostas ofertadas, o qual é essencial para o exercício da cidadania, em especial, em um corpo social democrático que estabelece o acesso à informação e o direito político como prerrogativas legais imprescritíveis, personalíssimas e inalienáveis do ser humano.

Logo, cabe ao Estado, em parceria com os programadores digitais, garantir, por excelência, a propagação de informações verdadeiras nas redes sociais sobre os candidatos disponíveis à eleição, com o desenvolvimento de “softwares” que possibilitem o reconhecimento automático de conteúdos com características tendenciosas sobre eles e, em seguida, a exclusão dessas matérias, a fim de possibilitar discussões políticas seguras no meio virtual e assegurar o direito político dos cidadãos. Dessa modo, contribuir-se-à para que as ferramentas do ciberespaço sejam benéficas para as eleições.