Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas

Enviada em 09/10/2020

Lya Luft afirmou que a sociedade usa “óculos cor-de-rosa” para se abster da realidade. Aplicando a metáfora ao contexto atual de intensa informatização, pode-se dizer que o Brasil utiliza o acessório para não enxergar o papel das redes sociais nas eleições de 2018.

Nesse cenário, ainda que a Constituição Federal de 1988 garanta privacidade ao voto, atualmente, explanar os candidatos escolhidos virou rotina em aplicativos como o “Facebook” e o “Twitter”. Além de manifestar a preferência, os eleitores da última eleição presidencial entraram em conflito: se o cidadão não se manifestasse contrário a determinado partido, automaticamente, era favorável ao outro; essa bipolarização pode ser comparada com a época da Guerra Fria, em que a humanidade era dividida entre “capitalistas” e “socialistas” – o mundo não aceitava imparcialidade. Frente a essa noção de que o oposto equivale-se a “inimigo”, ambos os “lados” partiram para o ataque no meio digital.

Ao encontro disso, empresas jornalísticas e as diretorias das redes sociais permaneceram omissas diante dos bombardeios de notícias falsas, publicações impulsionadas artificialmente e manchetes sensacionalistas. O anseio por atingir o adversário fez com que a internet assumisse o papel de campo de batalha dessa “terra sem lei”. Diante disso, cabe atentar ao conselho de José Saramago: “se podes olhar, vê; se podes ver, repara”; então, é preciso que se veja a capacidade de transmitir informações no universo digital e, de forma conjunta, reparar as lacunas que permitem que esse instrumento seja usado para manipular.

Assim, para que medidas efetivas aconteçam, estímulos são necessários; portanto, a escola deve realizar projetos em que os alunos organizem eleições de grêmios estudantis com debates e rodas de conversa frequentes, a fim de preparar os cidadãos, por meio do aprendizado e da conscientização, para lidar com opiniões adversas e com a rotina da democracia; em resposta, é oportuno que o governo invista no aprimoramento dos mecanismos legais que, pela denúncia e pela fiscalização, visem à punição de usuários que transmitirem e impulsionarem informações falsas –incluindo a ação na legislação eleitoral. Desse modo, o Brasil consegue, finalmente, livrar-se dos “óculos cor-de-rosa” e enxergar um futuro próspero, em que as redes sociais sejam uma ferramenta de apoio das instituições democráticas.