Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas

Enviada em 14/10/2020

A Primavera Árabe foi onda de protestos e revoluções ocorridas no Oriente Médio e norte do continente africano em que a população foi às ruas para derrubar ditadores ou reivindicar melhores condições sociais de vida. Essa  revolução não teria sido possível sem os recursos e dispositivos das redes sociais.  De certa forma, este cenário fez com que a cobertura e a repercussão da revolução não ficasse restrita aos países da região. À vista disso, é necessário entender a real influência das redes na política, além de identificar a sua importância para a manutenção da democracia vigente.

A priori, existe a direta relação das classes aristocratas com os meios de comunicação. Em uma pesquisa da Universidade de Oxford, foi revelado que as redes sociais se tornaram instrumentos para a manipulação da opinião pública em 48 países, como no Brasil. Assim, é relevante que o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística indique que 56% dos brasileiros admitem a possível influência da internet na escolha do candidato presidencial na eleição de 2018, o que revela, ainda, o grande poder das elites sobre a web.

Outrossim, a dominação ideológica proposta por Karl Marx, cuja alienação acarreta na manipulação das pessoas a fim de atender aos interesses de um grupo, nesse caso, dos políticos, é notória na sociedade contemporânea. Nesse sentido, a disseminação de fake news é uma ferramenta poderosa de controle de dados e opiniões e precisa ser combatida no Brasil, uma vez que influencia diretamente a formação de concepções. A exemplo disso, tem-se as eleições presidenciais dos EUA, cuja divulgação de informes falsos interferiram a corrida presidencial daquele país. Destarte, é preciso que o Estado garanta o combate à disseminação de notícias falsas.

Em suma, o Ministério da Educação, aliado a instituição familiar, deve proporcionar educação de qualidade a todos, mediante discussões, palestras e muito diálogo, a fim de desenvolver o uso da razão emancipatória proposta por Jürgem Harbermas, filósofo da Escola de Frankfurt, para então, tornar possível o exercício do senso crítico, com o intuito de possibilitar ao cidadão a autonomia necessária para interpretar as informações que lhes são passadas. Ademais, o Ministério das Tecnologias e Comunicação deve intensificar a fiscalização das redes sociais, por meio da captação de recursos financeiros para a criação de agências de monitoramento dessas mídias, a fim de minimizar o compartilhamento das fake news e, por conseguinte, a manipulação ideológica dos eleitores brasileiros.