Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas
Enviada em 15/10/2020
Os avanços alcançados a partir da III Revolução Industrial, ocorrida em meados do século XX, possibilitaram a disseminação da informação na internet. No entanto, na atualidade o uso das mídias sociais no campo político ameaça a democracia brasileira por meio da manipulação de dados dos usuários. Simultaneamente a isso, perde-se o poder de expressão das massas, fator primeiramente positivo das redes, e ainda, afasta a política do pilar da honestidade, na medida em que a torna uma disputa de mercado pela persuasão.
Para começar, a massificação do uso da internet com as redes sociais possibilitou que ideias de pessoas que antes eram esquecidas na sociedade fossem ouvidas e o mais importante, criou um espaço possível de diálogos e debates. Contudo, nos tempos atuais os algoritmos têm trabalhado para mostrar mais do mesmo aos usuários e assim, transformar a internet em entretenimento e vender mais anúncios. Por outras palavras, foi o que relatou o documentário “The Social Dillema”, produzido pela Netflix e que conta com depoimentos de ex-funcionários dos maiores sites do mundo. É dito em um trecho do filme: “A tecnologia deixou de ter o papel de ferramenta para se tornar um vício e um meio de manipulação.”. Dessa forma, as questões eleitorais e as opiniões sobre partidos e candidatos que aparecem nos feeds de notícias dos usuários pendem a sustentar o presente cenário de polarização política e não à favorecer o debate democrático.
Consoante ao poder que os algoritmos exercem na atualidade, criou-se um verdadeiro mercado de compra e venda de dados de pessoas comuns. Contanto que sejam eleitos, políticos se envolvem em esquemas de violação da intimidade do eleitorado. A exemplo disso, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, eleito em 2016, se envolveu em escândalos após a Cambridge Analytica obter de forma ilegal dados do Facebook de milhões de pessoas, que provavelmente o ajudaram a se eleger. Ainda, no Brasil a própria campanha do presidente Jair Bolsonaro, eleito em 2018, foi profundamente marcada pelo uso das redes sociais. Nota-se que, o uso da análise de dados tem um alto custo monetário e, o produto é a população que é comprada pelos políticos.
Em síntese, as redes sociais exercem papel transformador nas discussões políticas. Dessa maneira, é necessário que a regulamentação dos sites e das mídias sociais seja fortalecida com regras de proteção ao usuário afim de evitar que suas informações sejam violadas para fins de interesses alheios. Além disso, é necessário que os próprios sites revejam suas atividades ligadas aos algoritmos e planejem o menor nível de interferência possível, evitando qualquer tipo de influência sobre o pensamento do utente.