Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas

Enviada em 09/10/2020

Em época de eleição, antes da internet, era muito comum que as pessoas se reunissem ao redor da televisão para assistirem debates políticos. Porém, essa forma de interação limitava as pessoas, uma vez que essas só recebiam as informações e ideias e as passavam apenas aos mais próximos. Com o advento da internet, tal situação muda, visto que o alcance individual aumenta drasticamente e cada ser humano consegue um maior espaço para divulgar suas próprias opiniões. Nesse sentido, vale ressaltar que as redes sociais possibilitaram a interação ativa, dando aos indivíduos autonomia e liberdade para exporem opiniões ou interpretarem o que chega a eles e que isso abre novas portas para modificar a forma de fazer política.

O problema dessa liberdade é que muitas pessoas preferem continuar na posição de apenas consumidores. Não existe a valorização da visão crítica, criando um grande nicho de potenciais alienados no qual políticos ou pessoas desprovidas de caráter se apoiam para conseguir seus objetivos. Já dizia o filósofo prussiano Immanuel Kant: “Sapere aude! Tem coragem de fazer uso de seu próprio entendimento, tal é o lema do iluminismo.”. Sendo assim, cabe a nós nos apropriarmos de nossa liberdade e começarmos a desenvolver a opinião própria, evitando, dessa forma, a manipulação e proporcionando um debate mais saudável e verdadeiro nas redes sociais.

Além disso, as redes deram espaço para que as minorias, antes muito marginalizadas da política ou assuntos sociais, pudessem aprender, exporem injustiças e aumentassem sua bagagem intelectual e cultural. Isso tudo gerou vários choques de ideias, discussões, conflitos e o apresentou uma sociedade dividida. No entanto, tais choques também possibilitaram a criação de novas opiniões, além de criar um ambiente amplo para o contato com essas, funcionando de uma forma dialética, na qual antigas concepções chocam-se com outras e criam novas maneira de interpretar o mundo.

Portanto, fica claro o potencial democrático que as redes sociais trouxeram ao mundo contemporâneo. Entretanto, para usufruir de toda essa potência, é necessário que se desenvolva um espírito autônomo em toda a sociedade. Para isso, deve-se estimular desde a infância o olhar crítico através de oficinas e debates em escolas planejadas e aplicadas com auxílio de nossas instituições, como o Ministério da Educação e os Núcleos Regionais de Educação. Além disso, deve-se incentivar a leitura crítica de artigos, notícias e a desenvolver a habilidade da escrita e da oralidade. Só assim criaremos um mundo mais democrático e que aproveitará de forma responsável a liberdade proporcionada por nossos celulares e computadores.