Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas
Enviada em 09/10/2020
É bem verdade que nas eleições presidenciais brasileiras de 2018, o fator determinante para ganhar os votos na urna deixou de ser o tempo de televisão para se transformar na internet. Naquela ocasião, o então candidato Jair Bolsonaro ganhou as eleições com 8 segundos de televisão, enquanto alguns candidatos possuíam até 5 minutos. Inegavelmente, diversos fatores também influenciaram para tal feito, tais como os discursos anti-petismo, anti-corrupção, anti-privilégios, sua agenda liberal, sua postura conservadora e sua religião. Entretanto, mesmo assim, as redes sociais tiveram seu protagonismo na campanha de Bolsonaro e de muitos outros políticos, até porque foram elas que propagaram os seus ideais. Nesse sentido é fundamental uma analise detalhada do tema, em virtude de que a internet pode ajudar a democratizar a politica.
Em primeiro lugar, é importante frisar que as redes sociais corroboram para o exposição das ideias de políticos os quais não possuem tanto tempo de televisão, também ela facilita a multiplicação dessas mesmas ideias, dado que esse meio de comunicação é, factualmente, em 2020, maior que a tv aberta. Outro elemento o qual ainda influencia nas eleições é o fundo eleitoral, dinheiro vindo do contribuinte para pagar a campanha de pessoas as quais muitas vezes tem propostas divergentes, o avanço da internet tende a acabar com esse privilégio, já que possibilita doações voluntárias. Desse modo, visando fortalecer a democracia, essa ferramenta é essencial.
Contrapondo tal lado positivo, faz-se necessário analisar a disseminação de fake news nas redes socias. Para realizar tal analise é interessante comparar a realidade de algumas bolhas sociais na internet com o filme “Show de Truman” (filme o qual mostra Truman vivendo em um mundo montado por um canal de tv, que filma o seu cotidiano, sem que ele saiba disso). Fora da ficção, as pessoas se reúnem em grupos no qual elas são movidas a crer em tudo o que é exposto, chegando a um ponto que eles não conseguem perceber o quão maléfico são algumas intenções, além disso, essas mesmas pessoas, quando se sentem incluídas nessas bolhas, tendem a não procurar ideologias diferentes, prejudicando a pluralidade de ideias e, consequentemente, a democracia.
Levando tudo isso em consideração, seria importante, por parte do estado e das próprias redes sociais, combater as fake news, através de limitações que poderão ser feitas com o bloqueio de rôbos e a recomendação do algoritmo de pontos visões opostas. Na medida em que é feito esse combate, as mesmas entidades devem incentivar as campanhas que não agem de má fé. Somente assim as pessoas poderão, assim como Truman consegui, escapar de suas bolhas, e encontrar, de fato, a verdade.