Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas
Enviada em 09/10/2020
Na Grécia antiga, principalmente na cidade-Estado de Atenas, discussões políticas eram de suma importância na construção dos cidadãos daquela sociedade. Dessa forma, constata-se que a relevância era tamanha que houve a construção de espaços, denominados “ágoras”, em que as disputas políticas aconteciam, tornando-se vital à consolidação da democracia ateniense. Analogamente, observou-se as redes sociais atuando como um importante meio aos debates públicos nas eleições brasileiras de 2018, paralelamente à ágora grega. Por conta disso, salientam-se dois aspectos que circundaram essa temática: a frivolidade interpessoal que esses locais apresentam e a democratização do debate pátrio.
Mormente, deve-se considerar que as redes sociais são plataformas que minimizam as relações humanas, segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, que afirma que as redes sociais geram uma impessoalidade e contribui à ascensão de ideias autoritárias. Nessa conjuntura, depreende-se que vigência de conversações políticas nesses meios padecem dessas circunstâncias intrínsecas a essas. Dessarte, nota-se a presença de opressões e preconceitos em uma escala muito maior que o comum- pois, com a volatilidade desses ambientes, o homem comporta-se preocupando-se muito menos com as consequências, agindo, muitas vexes, de forma rude. Nesse espectro, o termo “banalidade do mal”, criado pela filósofa alemã Hannah Arendt, que denota como a rotineira presença da maldade apazigua-a, expõe severamente um dos males das redes, nítido nas discussões de 2018.
Todavia, as redes sociais forneceram uma qualidade nunca antes vista na história humana: a intensa democratização do discurso político, permitindo que as conversações ocorressem independentemente de barreiras físicas e afins. Nesse sentido, cenários parecidos com a obra literária “A Utopia”, de Thomas More, na qual se apresenta uma civilização extremamente desenvolvida, em que reuniões políticas aconteciam com uma frequência voraz, demonstraram-se possíveis, contribuindo à pluralidade de ideias e, portanto, auxiliando para o crescimento da democracia. Assim, a sentença célebre do filósofo Voltaire, “Posso não concordar com nenhuma das palavras que disser, mas defenderei o direito de dizê-las”, mostra-se em eminência no país, parâmetro que deve ser mantido.
À luz dessas perspectivas, evidencia-se a notoriedade que as redes sociais apresentaram nas eleições de 2018, horizonte que tende a continuar. Por isso, urge que as empresas responsáveis por esses veículos proíbam menções xenofóbicas, racistas, segregacionistas e de qualquer outro gênero, por meio de logaritmos previamente programados. Dessa maneira, os usuários desses meios serão contemplados com um ambiente respeitoso e propício à dialética de ideias, auxiliando que as próximas eleições ganhem maior abrangência e que o povo esteja mais ciente dos candidatos e seus partidos.