Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas

Enviada em 09/10/2020

Na obra “1984”, do escritor George Orwel, é retratado um futuro distópico no qual, por parte do regime de governo, o controle social é exercido pela desinformação e vigilância, propagados pelos veículos de comunicação da época. Nesse sentido, fora da ficção, é notório que tal prerrogativa está intimamente relacionada ao cenário hodierno, visto que o papel das redes sociais nas discussões políticas têm, muitas vezes, se tornado mecanismos de manipulação da opinião pública. Diante disso, entre os fatores que condicionam essa problemática, encontram-se a disseminação de notícias falsas, bem como a falta de fiscalização, pelo poder público, nesse impasse.

Em primeiro plano, é válido salientar que a Revolução-Técnico-Científico-Informacional, ocorrida na segunda metade do século XX, possibilitou que  o compartilhamento de informações entre os indivíduos se tornasse cada vez mais comum. No entanto, conforme exposto pelo jornal “Folha de São Paulo”, o uso indevido das mídias sociais colaborou  na disseminação de notícias falsas que, por exemplo, facilitam a manipulação da opinião pública durante a tomada das decisões políticas, com o fito de prejudicar o candidato ou partido oposto e, assim, conquistar mais notoriedade pela população.

Por conseguinte, outro fator que contribui na permanência de ações ilegais como essa ocorre devido a falta de fiscalização, por parte do poder público, no setor em questão. Nesse viés, tal assertiva vai contra o que preconiza o filósofo Tomas Hobbes, em sua obra “O Leviatã”, afinal, segundo ele, o Estado é a instituição responsável por garantir a fluidez e a harmonia entre as relações sociais. Todavia, a negligência estatal na resolução e criação de mecanismos que capturem e analisem a veracidade dos fatos disseminados pelas redes inviabilizam a prática dessa premissa. Logo, urge que medidas sejam tomadas o quanto antes, com a finalidade de reverter esse problema.

Em suma, diante dos conflitos abordados, cabe ao Estado, como mantenedor da ordem, progresso, leis e bem-estar civilizatório, investir na criação de agências responsáveis pela checagem dos fatos compartilhados no meio virtual, principalmente durante a época das eleições. Tal ação poderia ser realizada por meio da alocação de recursos do Ministério da Economia, bem como pelo apoio de entidades tecnológicas, com o intuito de garantir uma sociedade que valorize os princípios democráticos e que utilize as redes sociais de modo mais positivo durante as decisões políticas. Dessa forma, com o aumento das fiscalizações, pode-se almejar um contexto de relações harmoniosas e que seja diferente daquele demonstrado pela obra “1984”, de Orwel.