Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas
Enviada em 10/10/2020
Na obra “Triste fim de Policarpo Quaresma”, do escritor Lima Barreto, o protagonista goza de uma imagem extremamente otimista em relação ao Brasil que, na opinião dele, necessita de apenas alguns ajustes para tornar-se uma nação desenvolvida. Fora da literatura, na contemporaneidade brasileira, persistem mazelas que atrasam o progresso do país, dentre elas, destaca-se a manipulação das redes sociais nas discussões políticas que, por meio de notícias falsas, manipulam o comportamento e pensamento político da população. Esse tipo de impasse possui raízes históricas e sociais no Brasil.
Primeiramente, é necessário entender como o pensamento humano pode ser moldado. No livro “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo, é possível observar o quanto o meio em que o indivíduo vive pode determinar seu comportamento. Diante disso, trazendo essa perspectiva à sociedade brasileira, é possível que o comportamento de seus cidadãos seja orientado pelas coisas que eles observam nas redes sociais e, portanto, há um terreno fértil para notícias falsas, pois, na maioria das vezes, a população não busca se informar sobre a veracidade das informações.
Outrossim, é irrefutável que a disseminação de notícias falsas na política é anterior as redes sociais. Um exemplo histórico disso, foi a justificativa dos militares para a tomada do poder em 1964, afirmando que o Brasil, sem a intervenção deles, viraria um país comunista, o que nunca se provou verdade, mas foi suficiente para legitimar o golpe realizado.
Depreende-se, portanto, ser essencial iniciativas para atenuar a manipulação política do usuário nas redes sociais. Em primeiro lugar, o Ministério da Educação, aliado às Secretarias Estaduais de ensino, poderia promover aulas, palestras e debates em escolas públicas, e privadas, abertas para toda comunidade, orientando como analisar, e pesquisar, se certa notícia é verdadeira ou falsa na internet. Ademais, o Congresso Nacional sancionaria uma lei, visando punir os políticos que financiam esses grupos de Fake News, punindo-os até com cassação do mandato.