Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas
Enviada em 12/10/2020
De acordo com o artigo quinto da Constituição Federal de1988, um dos fundamentos da República Federativa é a democracia. No entanto, esse dispositivo não está sendo cumprido em sua totalidade, haja vista os problemas relacionados ao uso das redes sociais nas discussões políticas das eleições de 2018. Nesse sentido, dois aspectos fazem-se relevantes: a disseminação de notícias falsas e a prática de linchamento virtual. Por isso, medidas são necessárias para mitigar tal problemática.
De início, é inegável que a divulgação de “fake news” influenciou nas campanhas das eleições de 2018. Nesse contexto, conforme os dados divulgados no Jornal O Tempo, foi constatado que a empresa Cambridge Analítica afetou as decisões das eleições dos Estados Unidos por meio do banco de dados de usuários do Facebook, e que no Brasil também aconteceu em 2018 de forma massiva por meio da rede Whatsapp. Seguindo essa linha de raciocínio, essa realidade comprova que o voto de cidadãos brasileiros foi influenciado por informações duvidosas, já que o atual presidente ganhou a eleição sem mesmo ter participado de debates. Como desdobramento, tem-se o comprometimento do conceito democrático das eleições no Brasil, e medidas precisam ser tomadas mediante tal problemática.
Ademais, é indubitável que as brigas causadas pelos debates políticos nas mídias digitais afetou a democracia brasileira nas eleições presidenciais. Nessa perspectiva, de acordo com o professor e pequisador Eduardo Wolf, as disputas carregadas de polarização nos debates políticos acabam passando para questões culturais, como ocorreu nos Estados Unidos na década de 1990 e, posteriormente, no Brasil. Em outras palavras, discordâncias políticas transformam o antagonista em inimigo nas redes sociais, o que remete ao enfraquecimento do teor democrático, visto que não há reconhecimento de legitimidade da oposição. Consequentemente, as decisões eleitorais de 2018 foram tomadas sob o uso da violência praticada nas redes sociais acerca da política e de questões de cunho moral.
Portanto, cabe ao Governo a aplicação da Lei das Fake News, por intermédio do aumento da investigação sobre as mídias como Instagram, Twitter, Facebook e Whatsapp, a fim de combater o comportamento inautêntico presentes nas discussões políticas pelas redes sociais. Além disso, é necessário que a sociedade civil denuncie os casos de linchamento virtual, mediante plataformas digitais de denúncia, de maneira que sejam retirados das redes os comentários violentos e sejam punidos os infratores, com vistas a minimizar as práticas de discursos de ódio nas mídias sociais, a fim de tornar mais democráticas as discussões políticas. Dessa forma, com medidas pontuais e gradativas, o texto constitucional será cumprido.