Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas

Enviada em 15/10/2020

Um problema estrutural

Embora suas infinitas possibilidades, a internet, atualmente, possui papel central como canal de comunicação por meio das redes sociais. Estas, devido ao enorme potencial de difundir ideias, além de absorver estruturas sociais que já existiam antes, são capazes de influenciar diretamente em decisões nacionais, como as eleições de 2018. Além de que, no Brasil, as deficiências escolares, o grande poder dos poderosos políticos e a difusão das redes sociais servem de base para a difusão das fake news eleitorais.

Assim, é necessário notar que as redes sociais não criam novas relações estruturais, elas apenas as realocam. No Brasil, a manipulação eleitoral nasce junto com a república por meio do coronelismo: donos de terras e poderosos paramilitares que controlavam a votação ‘‘democrática’’ por intermédio da força, da troca de favores e de diversas outras manipulações. Hoje, nas grandes cidades, o coronelismo ganhou nova forma e, assim, perpetua suas manipulações com notícias falsas no whatsapp ou no facebook. Ou seja, a internet apenas absorveu e modificou a aparência das relações que já existiam antes.

Outrossim, segundo Marx, a ideologia é a falsa ideia criada pelas classes dominantes, por meio do modo de produção, para perpetuar suas dominações, isto é, as concepções sociais só são o que são devido aos interesses de grandes poderosos:  na idade média, a produção feudal estabelecia diversas relações de nobreza e guerra ao entorno da terra. Deste modo, os senhores feudais criavam estruturas, como a imagem positiva do cavalheiro, para que a concepção de guerra fosse normalizada de acordo com os seus interesses. Atualmente, desde a educação, até ao próprio lazer, as pessoas são influenciadas pelos senhores feudais modernos, os políticos. Uma educação de péssima qualidade aliada à difusão de fake news pela internet são estruturas rígidas que favorecem a perpetuação da dominação burocrática.

Evidencia-se, portanto, interferências estruturais e propositais no sistema democrático brasileiro, através das redes sociais. Assim, cabe à família educar e mostrar ao jovem, por meio da educação domiciliar, as relações sociais já impostas e os mecanismos de modificação destas. Dessa forma, criar-se-á uma formação rígida e inatingível à influências externas que possam comprometer o processo eleitoral, como em 2018.